Viajando para lugares não turísticos: Bradford

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Tem algo especial em visitar lugares onde turistas geralmente não vão e eu descobri isso enquanto eu viajava por uma Bradford cheia de neve no meio de Fevereiro. Antes de chegar, muitas pessoas me diziam: “Por que você está indo para Bradford? Não tem nada pra fazer lá, nada para ver.”. Bom, elas estavam erradas.

Bradford debaixo de neve

Bradford debaixo de neve

Para ser honesto, tinha algo que eu queria ver em Bradford. Eu sou fã de futebol (não fanático, pelo menos não há algum tempo) e eu queria muito visitar o estádio do time local. Naquela época seria a oportunidade perfeita, pois o geralmente péssimo time (jogam a 4° divisão da Inglaterra) tinha chegado a final da Copa Inglesa, batendo clubes da primeira divisão no caminho para final. Ok, chega com o papo chato de fã de futebol e de volta ao que importa.

Visitando Bradford

Chegando no estádio do Bradford, visite a loja oficial (não consegui comprar a camisa, pois devido a atual situação do time, já não havia mais nada no estoque) e então tentei visitar o estádio. Quando cheguei na recepção me disseram que o “guia” não estava lá, alguém na sua família estava doente e ele não foi trabalhar. Mas, se eu quisesse, poderia entrar por minha conta e visitá-lo sozinho. Pra mim seria perfeito, não teria que pagar para entrar e teria o lugar só para mim. Se alguém tivesse me dito há dois anos que eu estaria ali um dia, eu teria dito que essa pessoa era louca. Mas lá estava eu, completamente maravilhado.

Estádio do Bradford

Estádio do Bradford

Quando eu estava pra sair do estádio, o senhor na recepção me perguntou se eu tinha gostado do que vi. Claro que eu tinha, e logo começamos a conversar. Ele me perguntou de onde eu era, e quando eu disse que era brasileiro ele ficou surpreso: “O que você está fazendo em Bradford?”. Foi divertido ter conversado com ele, que é o pai do presidente do time. Cara simpático, me deu uma revista que deveria ir para um dos jogadores a me mostrou a carta original que o Dalai Lama havia enviado a eles. Foi engraçado como ele perguntava pra todo mundo que passava “Adivinha de onde esse cara aqui é?”. A maioria dizia que eu parecia Australiano. Passei quase uma hora ali conversando com ele, e acho que poderia escrever um post só sobre isso (lembrar de fazer isso um dia).

Carta do Dalai Lama

Carta do Dalai Lama

E agora o que? Não tinha mais nada pra ver. E é aí que as coisas ficam mais interessantes. Você não tem pressão alguma quando está visitando um lugar como esse. Não precisa correr tentando pensar em todos os lugares que você não pode perder, os lugares que você precisa tirar uma foto para mostrar para familia e amigos, não precisa comprar pequenos presentes (nunca faço isso mesmo). Então eu apenas andei por lá, tirando algumas fotos, curtindo a brisa fresca e caminhei lentamente em direção à casa da minha anfitriã no couchsurfing. Se “perder” em uma cidade como Bradford é divertido e vi alguns lugares interessantes. O que mais me chamou atenção foi uma livraria dentro de uma antiga igreja. Muito bonita.

Antiga igreja que virou uma livraria.

Antiga igreja que virou uma livraria.

Encontrando pessoas

A coisa mais legal que aconteceu em Bradford foi ter conhecido Nina, minha anfitriã no couchsurfing. Ao chegar perto da casa dela eu já não estava mais curtindo tanto aquele brisa fresca e só queria entrar em algum lugar quente. E também, estava ansioso para encontra-la depois de tanto ter conversado por mensagens. Ela parecia ser muito legal. E realmente era. Me recebeu com uma deliciosa xícara de chá e me apresentou ao seu colega de casa. Então me disse que o aquecimento central tinha acabado de quebrar e que a imobiliaria estava pra mandar alguém pra arrumar, mas enquanto isso teríamos que nos virar com um pequeno aquecedor elétrico. Foi mais do que o suficiente e a sala de estar estava tão quentinha e acolhedora que eu poderia ter ficado lá pelo resto do dia.

Parque próximo a casa da Nina

Parque próximo a casa da Nina

Nina e seu colega de casa são provavelmente as pessoas mais gentis que eu já conheci. Mesmo. Foi muito agradável conversar com eles, e tão fácil (muito mais fácil falar inglês com britânicos do que com irlandeses), especialmente seu colega de casa, que falava sempre muito devagar e gentilmente.

Mais tarde, Nina me convidou para uma festa de amigos/vizinhos/comunidade que é organizada toda segunda-feira. Essa seria na casa do vizinho, então não precisariamos cruzar a cidade naquele frio. Eu topei na hora. Tinha por volta de 20 pessoas lá, e acho que nunca estive em um lugar com tantas pessoas gentis. Eu era o estranho lá e todos me trataram super bem. Conversei com um alemão que estava estudando em Bradford, com outros amigos da Nina e então com Lavinia. Ela me ouviu falando sobre pegar carona e me disse que já havia feito isso muitas vezes. Garota muito interessante, e me contou que havia morado na França e eu fiquei impressionado com o que ela havia feito lá. Então ela me disse que tinha ido ao Tibet e eu não podia acreditar. Naquela época, e até agora, eu tenho essa ideia fixa de ir ao Tibet. Se eu tivesse que fazer uma lista de coisas a fazer, ir ao Tibet seria a primeira da lista. Gostaria de ter passado ainda mais tempo ali no chão conversando com ela.

Ah, e aquela noite era aniversário de um dos amigos de Nina, e após um maravilhoso jantar vegetariano, cantamos “Feliz aniversário”, mais uma outra dança engraçada que eles fazem com os amigos em aniversário. (Não consigo lembrar a letra, mas já mandei uma mensagem pra ela perguntando haha)

Foi tão bom quando finalmente voltamos pra casa, o aquecimento central já tinha sido arrumado e eu dormi como um bebê em um dos melhores “sofás” de sempre. Essa experiência foi fantástica e o sofá também era bem confortável (talvez melhor que a minha própria cama).

Sim, coisas acontecem por um motivo, não acho que eu tive sorte de ter escolhido Nina (e Nina ter me escolhido) entre outras pessoas que poderia ter ficado. E não só Nina, mas também por ter conhecido seus amigos. Sou agradecido de ter ido a Bradford e sempre me lembrarei do sentimento de não querer deixar aquele lugar e desejar que eu estivesse em situações como aquela mais vezes.

E você? Já esteve em alguma situação como essa, sendo um estranho em uma cidade pequena/não turistica?

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2 thoughts on “Viajando para lugares não turísticos: Bradford

    • Olá Débora. Então, acabei passando apenas um dia lá e não sai a noite.
      Achei a cidade bem tranquila, meio deserta, mas também é uma cidade com muitos estudantes.
      A “festa” em que estive foi em uma casa, mas com certeza devem ter outras coisas rolando por lá.

      Beijo

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