Perguntas respondidas: Intercâmbio em Dublin

Há algum tempo escrevi um post sobre meu intercâmbio em Dublin e volta e meia recebo algumas perguntas de uma galera interessada em ir pra lá. Então resolvi criar o espaço aqui, pra tentar responder essas perguntas e se possível ajudar quem está na procura dessas informações. Se você caiu direto aqui, aconselho dar uma lida no primeiro post e se achar necessário, volte aqui depois.

Vamos lá!

DOCUMENTOS/PLANEJAMENTO

Documentação (passaporte, visto etc): como funcionam os trâmites, o que eu preciso fazer e o que a agência faz.

Passaporte válido: alguns países exigem visto com no mínimo 6 meses de validade. Importante checar isso pra não correr nenhum risco. Aí é por sua conta, qualquer dúvida dá um pulo na polícia federal e resolve sua situação antes da viagem.

O visto vai depender da duração da seu curso. Se você for estudar por menos que 3 meses, não há necessidade de visto. A Irlanda faz parte do acordo de schengen e brasileiros podem viajar pelos países que fazem parte desse acordo por até 90 dias num período de 6 meses sem visto.
Mas se você for estudar por mais de 3 meses, tem que tirar visto e ele é feito na Irlanda. Para aplicar para o visto mais comum de estudo+trabalho, é necessário levar uma carta da escola (curso com carga horária mínima de 15h/semana), seguro de saúde (falo mais tarde), 3000 euros em uma conta em um banco irlandês (também já falo) e comprovante de endereço. Os dois primeiros você resolve antes da viagem, sendo que se fechar com agência, te entregarão a carta da escola e oferecerão algum seguro de saúde (da pra fechar por conta se achar melhor). Os outros dois se resolve quando chegar.

Chegando no aeroporto, vão te perguntar o que você vai fazer no país. Diga que vai estudar, não precisa mencionar que quer trabalhar. Apresente a carta da escola, o seguro de saúde e talvez te peçam um comprovante de moradia (eu não fui com acomodação estudantil, ou casa de família, e acho que não me pediram isso, mas eu tinha o comprovante de estádia de 2 semanas em um hostel). Eles vão carimbar seu passaporte com um visto temporário de um mês, que é o prazo que você tem pra abrir sua conta, e acertar seu endereço. Junto com o carimbo te entregarão um papel com o endereço do centro de imigração que você deve comparecer com os documentos. Não esquentem que essas perguntas no aeroporto são simples, curtas e não vão levar muito tempo. Contando que você tenha os documentos certos, então preste atenção, não são muitos (:

[Se quiser saber mais sobre esses vistos ou outros, aconselho esse link.]

Seguro de saúde é obrigatório? Como ele é feito? Agência ajuda com isso? Existem diferentes opções? Quais os valores?

Sim, obrigatório. É feito antes da sua viagem. Agência ajuda. São basicamente duas opções: governamental ou privado. O governamental é mais barato, porque basicamente, se você precisar fazer qualquer coisa no médico lá, vai ter que pagar. O privado é mais caro, mas vai te cobrir até o quanto você quiser cobertura e estiver disposto a pagar, e aí chegando lá, não precisa se preocupar com nada, o seguro que paga.

Eu embarquei no espírito, sou jovem ainda jovem ainda jovem ainda, vai dar tudo certo e somente com o seguro governamental. Cada visita ao médico me custaria por volta de 60 euros, e na época, pelas minhas contas eu teria que ir ao médico pelo menos umas 10 vezes pra que o privado valesse mais a pena. No final das contas, não fui nenhuma, e pra mim, o governamental foi a melhor escolha. Mas pense bem sobre sua situação médica e escolha o que melhor se encaixa no seu bolso e perfil.

Grana necessária para entrar no país.

Se você for tirar visto, é necessário levar 3000 euros para depositar em um banco irlandês. Opa, pera lá, e vou poder usar esse dinheiro? Sim, pode. A imigração vai querer ver um extrato emitido por um banco irlandês em uma conta no seu nome com o saldo de 3000 euros. Uma vez que você emitiu o extrato pra levar na imigração, já pode começar a usar o dinheiro dessa conta. Pro governo irlandês, esse dinheiro é uma garantia que você terá como se sustentar durante o período em que estiver estudando.

Conta em banco: O que eu preciso fazer e o que a agência faz?

A conta em banco é contigo. O máximo que a agência vai fazer, é recomendar que você leve a grana necessária para depositar no banco em um cartão pré-pago e vão te encaminhar para alguma agência de câmbio conhecida deles. Mas, você que decide como vai levar essa grana.

Bom, com os 3000 na cueca (ou de preferência no cartão pré-pago), a carta da escola e um comprovante de endereço, você deve ir a um banco irlandês e abrir sua conta de estudante (eu abri no Bank of Ireland, mas os serviços do Ulster são bem melhores). O comprovante de endereço é onde eles te enviaram seu cartão, senha e extrato, então é importante que você leve um comprovante de um endereço onde você realmente vai ficar. Não vai querer receber seus documentos de banco num endereço que decidiu passar apenas as duas primeiras semanas, né?

O que é GNIB?

Pra simplificar, é seu visto. Quando você tiver todos os documentos e levar na imigração, vai pagar uma taxa de 300 euros (quando fui era 150, então preste atenção e se mantenha atualizado) e eles emitem na hora o GNIB. Tome cuidado e não perca esse trem, porque se perder, vai ter que desembolsar outros 300 euros. Tem gente que acha legal viajar com ele, pra mostrar na imigração de outros países pra provar que está estudando na Irlanda e não tem intenção de ficar no país que está visitando. Eu acho válido. Principalmente no aeroporto de Madrid, às vezes a imigração embaça na vida dos brasileiros, e uma prova a mais sempre ajuda.

Carteira de motorista. Poderei dirigir? O que fazer para ter uma internacional? Vale a pena? Custa?

Nossa CNH é válida por um ano na Irlanda. Então não precisa se preocupar em tirar carteira internacional. Quando pesquisei no site do Detran, era uma paulada (coisa de 300 dilmas. sou pobre, acho caro) e não achei que valia a pena. Mas, se você planeja viajar de carro por outros países que não a Irlanda, vale a pena conferir antes e ver se a CNH também é válida nesses outro países, do contrário, talvez seja válido pagar a paulada pela carteira interancional.

ESCOLA

Gostaria de saber se você já possuía uma nível de inglês bacana quando pisou pela primeira vez na Europa…se não, é possível chegar só com um inglês intermediário e aprender realmente falando na escola e com as pessoas?

Quando cheguei na Irlanda, meu nível era intermediário. Há poucos meses voltei pra Irlanda, bati um papo com o diretor da escola em que estudei e ele falou: “Poxa, Hector. Lembro quando você chegou na escola, não conseguia falar nada, e agora estamos aqui conversando numa boa.”

Realmente eu não falava quase nada, gaguejava e a galera terminava as frases por mim. Mas estando lá você é obrigado a falar o tempo todo, e o aprendizado é muito rápido. No Brasil, se você estudar em uma escola 4 horas por semana, em um mês estudou 16 horas. Isso aí é uma semana só de aula na Irlanda. E outra, tem atividades extra classes, você fará amigos, vai colar num pub, vai ao supermercado, ao banco, ao trabalho, e tudo isso é prática. Quanto mais você se esforçar pra falar fora da escola, mais rápido vai aprender. Então, sim, é possível.

Pesquisar as diferentes escolas e o que elas oferecem / Valores / Localizações / Nº de brasileiros envolvidos / Procurar pessoas que já estudaram lá

Existem centenas de escolas, com valores diferentes, localizações diferentes, quantidade de brasileiros diferentes (a maioria tem bastante). Por isso é díficil falar qual é a ideal pra você. Pesquise bem, fale com que já estudou em alguma escola que você ficou interessado. Tente entender qual o seu objetivo, suas necessidades, e aí você vai encaixar a que faz mais sentido pro seu bolso e para as suas expectativas. Escolas no centro costumam ser mais baratas, ter mais estudantes e consequentemente mais brasileiros. “Nossa, achei essa escola super barata e parece ser ótima.” Só parece, amiga. Geralmente, o preço que você paga pela escola, é equivalente ao serviço que elas prestam.

Pra mim, o melhor foi a Kenilworth. Conheci outras escolas, já dei palestras pela agência Vision (recomendo que façam uma visita e conversem com o Michael), dá última vez que estive em Dublin visitei duas escolas que trabalham com a agência de intercâmbio onde minha namorada trabalha aqui na França (confuso? desculpa haha), e depois de tudo isso, ainda tenho certeza que fiz a escolha certa. A Kenilworth não me paga nada pra falar isso, mas não existe dinheiro que pague pela parte deles no crescimento da minha vida.
Se no final das contas decidir estudar lá, quando conhecer o diretor, Colm, diga que mandei um grande abraço.

Aqui no blog, todos os textos tem versões em inglês e português. Os meus posts em inglês quando revisados, são revisados por outros dois ex-alunos da Kenilworth. Meu inglês está longe de ser perfeito, mas talvez te ajude a ter uma ideia.

Qual a real possibilidade de conseguir tirar o Cambridge estudando lá? A escola ajuda com a infra? Posso fazer a prova lá ou preciso voltar ao Brasil?

A maioria das escolas trabalham com diversos tipos de certificados e com certeza te ajudaram com isso. O interessante de tirar lá é pelo fato de você estar vivendo a língua e provavelmente estará mais solto. Mas tem que ralar. Um amigo tirou o CAE estudando com ajuda da Kenilworth e muito esforço próprio.

MORADIA

Onde morar? Pesquisar as diferenças dos bairros (números). Em cima do rio ou abaixo do rio? Mais ao centro ou mais afastado?

O rio Liffey divide a cidade.

O rio Liffey divide a cidade.

 

Existe uma richa entre o norte e sul da cidade. Relaxa, ninguém no norte da tiro em que é do sul, e vice-versa. Eu morei no sul e não vejo motivos pra morar no norte. Em Dublin, é diferente de, por exemplo, São Paulo: quanto mais central, mais barato. Porquê? A cidade é pequena, o pessoal mora afastado do centro em casas maiores, mais confortáveis, em bairros completamente residencias, mais tranquilos. Essa tranquilidade custa mais caro que o agito do centro da cidade.

Mas acho que o mais interessante é achar um lugar pra morar próximo a escola em que vai estudar. A cidade é pequena, e talvez você diga: “Ahh, sem problemas, vou estudar nessa escola que fica a só 20 minutos de bike da minha casa.”
Amigo, quando o frio chegar, você vai querer morar do lado da sua escola. E outra, vai por mim, fazer as coisas andando, ou pedalando a lugares próximos, é um dos pontos altos de se viver em Dublin.

Como funcionam os contratos, se é que eles existem? Semanal, mensal, tanto faz?

Geralmente não tem contrato, as casas são por muitas vezes dividias entre estudantes, e você entra pegando o quarto de algum estudante que está voltando pro seu país. Vai ter que pagar um depósito no valor do aluguel mensal, e cada mês tem que pagar o landlord (locatário). Geralmente se avisa um mês antes que vai sair, e se você tiver pago todos os aluguéis, quando sair o landlord devolve o seu depósito.

Custos de vida: Aluguel / Alimentação própria / Lazer

Eu pagava 320 euros em um quarto grande, com cama de casal, em um ótimo bairro, Terenure em Dublin 6. Tive sorte, acho que hoje já não é tão fácil de achar preços assim. Mas vai variar entre 200 e 500, dependendo do bairro e tipo do quarto.
Eu não gastava mais que 100 euros em compras mensais. No começo talvez você gaste mais, até conhecer os supermercados e produtos. Depois de um tempo se acerta pelo seu budget. Eu fazia compra toda segunda, e passava em quatro supermercados diferentes. Já sabia qual produto era melhor e mais barato em determinado supermercado. Cinema, jantar fora, e muita cachaça/cerveja fora era luxo. Tinha a grana reservada pra breja, mas não esbanjava, porque sai caro.

TRABALHO

Qual a documentação necessária para o trabalho legalizado?

O PPS.

O que é PPS?

É como uma carteira de trabalho. Quando você trabalhar legalizado, vai pagar impostos, e esses impostos são vinculados ao número do seu PPS. Antes de voltar para o Brasil, você pode solicitar que devolvam os impostos pagos. Seu empregador precisa enviar uns formulários pra que isso aconteça, então antes de sair em definitivo de algum trabalho, solicite o envio desses formulários.
Então, se tiver interesse em trabalhar, assim que chegar na escola, peça a carta pra tirar o PPS.

Quais os tipos de emprego que poderei procurar?

Trabalhos de contrato de até 6 meses, quando tiver terminado o curso. Durante o curso, apenas trabalhos de até 20 horas semanais. Mas é aquela velha história, brasileiro da jeito pra tudo. Tem muita gente que trabalha mais que as 20 horas enquanto estuda, chegando lá você vai conhecer alguém que faz, e eles te ajudarão caso precise. Sim, ter amigo brasileiro nem sempre é ruim 😉

Qual a real possibilidade de encontrar um emprego em minha área?

Depende da sua area e formação. Caso seja formado, tiver interesse em trabalhar na area e souber de possibilidades, vale a pena traduzir diplomas pra apresentar em entrevistas.
Em TI, por exemplo, tem muito trabalho, mas quando fui, não consegui por questões do visto. Hoje já existem outras possibilidades de visto de trabalho, mas aí é legal verificar antes de ir.

Qual a média de grana que dá pra fazer em um mês? Suficiente para pagar aluguel+alimentação?

Trabalhando no restaurante numa média de 20 horas por semanas, mais as caixinhas, eu tirava entre 800 e 1000 euros por mês. Aí você tira os 320 que pagava de aluguel, 100 de comida, 27 com academia e o resto era tomar minhas brejas e guardando para as viagens.

Dá pra conseguir emprego no começo do intercâmbio, justamente quando o nível de inglês está o mais baixo possível?

Dependende do tipo de trabalho que você estiver disposto a fazer. Quando comecei no restaurante lavando louça, o outro rapaz que era responsável pela louça não falava nada de inglês. Nada mesmo. Sabia o nome dos utensílios, e era rápido que só a porra. Esforçado pra caralho. Se você não fala nada, não vai arrumar uns trampos muito bons, mas da pra trabalhar e pagar as contas.

Lembro que você não conseguiu trabalhar na sua área pelo primeiro ano e começou a trabalhar num restaurante, gostaria de saber se valeu a pena essa experiência e se com o salário dava para pagar o aluguel e viver com qualidade de vida na Europa?

Amei a experiência, se pudesse voltar no tempo e escolher, faria de novo. Foi algo completamente diferente pra mim, mas algo que me enriqueceu demais como pessoa. O trampo era osso, puxado, cansativo, muita merda aconteceu, mas nunca deixei essas merdas me abalarem demais. Sempre olhei com uma experiência temporária e que tiraria o melhor daquilo. E isso só me trouxe coisas boas. Boa parte do meu crescimento como pessoa e do desenvolvimento do meu inglês, eu devo a esse trampo lavando louças. Mas é aquilo, tudo depende da sua atitude.
Quanto ao salário, com mencionei acima, é suficiente pra viver tranquilo, sabendo moderar. Com meu salário eu sabia que não podia ir ao cinema sempre, ou jantar fora, ou beber muito algumas vezes, mas a minha qualidade de vida não era medida por essas coisas, e sim pelo fato de que em 8 minutos a pé, ou 2 pedalando, eu chegava no trabalho, que em 20 minutos de bicicleta eu estava no centro pra sair a noite, que voltava de bicicleta as 3/4/5 horas da manhã pra minha casa (crianças não pedalem bêbados voltando pra casa, é muito muito divertido, e vocês terão muitas histórias pra contar perigoso, perigoso, só fiz uma vez pra nunca mais viu mãe), ir ao parque do lado de casa pra correr, respirando um ar puro. Isso pra mim era muito melhor do que não poder ir ao cinema ou jantar fora.

Foi com esse dinheiro (restaurante) que você viajou na Europa ou você teve que levar mais, mesmo com o CouchSurfing?

Olha, era pra ter sido só com a grana do restaurante. Mas como falei, merda acontece. Meu chefe era meio caloteiro e demorava pra me pagar, mas antes de eu por o pé na estrada, conversei com ele, e ele prometeu ir depositando a grana que me devia aos poucos durante a viagem. O problema é que ele não depositou. E depois de algumas noites dormidas em estações de trêm e bancos de praça, eu peguei uma grana que tinha guardado pra quando voltasse ao Brasil e usei durante a viagem. Mas mesmo assim, não foi muito. Minhas viagens era feitas com um budget diário de 20 euros, o que acho baixissimo, e por muitas vezes eu não nem usava todo meu budget. Se será suficiente ou não, vai depender do quanto você conseguirá guardar por mês, e de como fará suas viagens depois.

E sua visão de mundo e do Brasil mudou com esse intercâmbio? Se sim… o que especificamente? Você voltaria a morar no Brasil depois de conhecer todos esses países e culturas? Pergunto isso, pois muitos brasileiros daquele programa o Mundo Segundo os Brasileiros sentem muita falta dos amigos, família, da comida, mas realmente não querem voltar tão cedo ao país do futebol.

A visão do mundo muda quando você está em contato com pessoas de lugares diferentes. Meu círculo de amigos era formado por italianos, franceses, chilenos, sul coreanos, omanenses, irlandeses, espanhóis, belgas, romenos, poloneses, e algumas outras nacionalidades. Esse mix de culturas te faz ver o mundo com outros olhos, te faz entender outras culturas e desmitificar clichês.

Talvez muita gente não pense em voltar, porque viu que fora é mais fácil de viver mais com menos. E entendo isso.
Pra mim, viver fora ainda está muito mais ligado a esse contínuo ganho de aprendizagem sobre o diferente e sobre mim mesmo. Distante de família e amigos próximos, tive mais tempo de me conhecer melhor.
Junto com essa curiosidade de conhecer novas culturas, também cresceu a vontade de conhecer melhor meu próprio país. Nosso país é gigante, cheio de contrastes entre modos de vidas e culturas. E por isso, ainda tenho muita vontade de viver no Brasil e viajar por lá.

Também senti muita falta do contato com amigos próximos, com a família, um pouco da comida, do clima, e mais do estilo de vida brasileiro. O foda da saudade é que você só lembra das coisas boas. Já tá lembrando da(o) ex que era tão amorosa(o), carinhosa(o), mas já esqueceu que era um(a) cafajeste, né? Pois é, pela saudade, pintei na memória algumas coisas mais bonitas do que realmente eram. Não que sejam assim terríveis, apenas acontece que eu mudei, e coisas que passei a dar valor, foram mais difíceis de alcançar quando voltei à São Paulo do que eu esperava. A experiência fora me fez ver que em qualquer lugar do mundo, mesmo que em certos lugares possam ser mais difíceis que em outros, é possível se adaptar a realidade que você quer para sua vida. No meu retorno passei a priorizar coisas que não priorizava antes do intercâmbio  e apesar de certas terem sido difíceis (ou caras), consegui aplicar muitas dessas coisas.

E por uma razão completamente diferente e não esperada, meu retorno à São Paulo foi mais curto do que o esperado. Se ainda não fui claro, Dublin ou Lyon não são minha Miami, tem sim muito mais cara de Havana. E hoje penso que se tivesse mais tempo em SP, continuaria lutando pra fazer a minha vida lá a melhor que pudesse, assim como faço aqui e farei em qualquer lugar que venha a morar no futuro. Não me vejo morando em São Paulo novamente, talvez até o possa fazer um dia, mas hoje não consigo ver uma volta definitiva. Mas com certeza poderia voltar a morar no Brasil. Como acabei de falar, essa experiência com muitas culturas diferentes me fez apreciar mais coisas únicas que temos no Brasil, e isso vai além da comida e do clima. Nosso país é um país lindo, com um povo lindo, que passa por grandes problemas, do governo à sociedade, e que tem muito pra ser melhorado, mas com certeza não é tão ruim quanto como às vezes nós mesmos o pintamos.

Tem mais perguntas? Comentem aqui no post que a medida do possível vou atualizando o post com respostas a tais perguntas.

Pra informações mais atualizadas, sempre recomendo o site e-Dublin, que tem conteúdo incrível sobre toda a Irlanda. Outra fonte boa de informações e melhor ainda pra quando estiver vivendo em Dubin é esse grupo no facebook.

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Já fez a lista do final de ano?

Do you wanna read it in English? Click here.

Nesse momento, você talvez já tenha olhado para 2014, posto na balança os prós e contras, e decidido se foi um ano bom ou ruim. Provavelmente fez uma daquelas listas com as coisas que pretende fazer nesse ano, e outra com as coisas que quer deixar de fazer. Mas você fez o mesmo durante diversas situações durante o ano? Antes de continuar, gostaria de contar uma história sobre a minha mãe.

Quando eu e meus irmãos faziamos algo errado durante a nossa infância, minha mãe as vezes nos mandava pro nosso quarto pra pensar no que fizemos. Não importava a hora do dia, ela nos “trancaria” no quarto, fecharia as janelas, apagaria as luzes, nos colocaria na cama e nos deixaria lá para pensar.
Você já deve imaginar que isso não funcionou muitas vezes. Se meus irmãos estivessem comigo, nós faríamos de tudo o mais silecionsamente possível para que ela pensasse que nós estávamos deitados na cama pensando. Talvez ela soubesse disso e só queria um tempo livre do caos que 4 crianças podem fazer. Mas prefiro acreditar que ela realmente queria que a gente parasse pra pensar no que tinhamos feito, e eventualmente eu iria fazer isso.

Acontece que tenho feito isso conscientemente nos últimos anos. Eu penso sobre as situações em que passo na minha vida e tento aprender algo dessas experiências. Tento ver maneiras em que poderia fazer algo diferente caso um dia encare o mesmo problema de novo. Olhar para cada uma dessas situações, me permitiu não só evitar cometer mesmos erros, mas também me permitiu treinar minha mente pra focar nas boas coisas e situações que desejo pra minha vida. Eu me conheci melhor, e isso me fez prestar mais atenção a pequenos detalhes e curtir mais o meu presente.

With dear friends in São Paulo, Brazil

Com amigos queridos em São Paulo, Brasil

Provavelmente não viajei o tanto quanto viajei em 2013, mas isso não importa, pois curti cada uma das viagens esse ano muito mais do que as do ano passado. Sozinho ou rodeado de pessoas incriveis, amigos de longo tempo ou novos amigos, momentos longos ou curtos, no frio ou no calor, eu curti e aprendi em cada momento de 2014.

Mesmo que eu tenha alguns objetivos, não fiz lista alguma para esse próximo ano que está para chegar. Tudo que quero é continuar aprendendo, continuar sendo curioso, continuar sendo a pessoa que quero ser.


Lembra o que perguntei no começo do post?

Se eu puder te dar um pequeno conselho, te diria para que em 2015 você preste mais atenção aos seus sentimentos, que tente se conhecer melhor, e assim conseguirá alcançar qualquer objetivo que você colocar na sua cabeça. Não estou dizendo que será fácil, mas quanto melhor você se conhecer, mais fácil será de enfrentar quaisquer dificuldades que você talvez encontre.

Gostaria de finalizar esse post agradecendo a todos que fizeram parte do meu 2014. Para os que estiveram ao meu redor, saiba que eu curti e sou grato pelos momentos que compartilhamos juntos. Para os que não encontrei ou não conversei esse ano, vamos fazer 2015 ser diferente. Para vocês que tiram um tempinho para ler minhas palavras por aqui, muito obrigado por fazer parte disso. E um agradecimento especial para a minha mãe por ter me ensinado essa lição tão importante.

Feliz ano novo para todos vocês!

Have you made your New Year’s list yet?

Gostaria de ler esse post em Português? Clique aqui.

By this time of the year, you might have already looked back to 2014, balanced pros and cons and decided whether it was a good year. Probably you’ve made one of those lists with things you’d like to do next year and other with the things you’re gonna try to stop doing. But have you done the same during different occasions throughout the year? Before I go on, I’d like to tell a story about my mom.

When my siblings and I did things wrong during our childhood, my mom would sometimes send us to our bedroom to make us think about the things we did. No matter the time of the day, she would “lock us” in our bedroom, close the windows, turn off the lights, tuck us in and let us there to think.
As you can probably imagine that didn’t work out well for many times. If my siblings and I were together in the bedroom we would do everything we could as quiet as possible so she would still think we were in our beds thinking. Maybe she knew it and just did that so she could have some peace and quite for a little while. But I’d rather think that she really wanted us to think about those things and eventually I would do it so.

It turns out that I’ve been consciously doing so for the past few years. I think about every situation in my life and I try to learn from my experiences. I try to see ways I could do things differently if I ever face a problem again. By looking back to my experiences, I could not only avoid doing same mistakes, but also set my mind to pursue the good things I want in my life. I got to know better about myself and it allowed me to pay attention to small details and enjoy better my present.

With dear friends in São Paulo, Brazil

With dear friends in São Paulo, Brazil

I probably didn’t travel as much as I did in 2013, but it doesn’t matter ’cause I enjoyed each one of my trips much more than last year. Whether alone or surrounded by amazing people, whether long time friends or new ones, whether long moments or short ones, whether cold or hot weather, I enjoyed and I learnt from every moment of 2014.

Even though I have some goals, I’m not planning on doing any lists for this year that’s about to come. All I want is to keep on learning, to keep on being curious, and to keep on being the person I want to be.

Remember what I asked you in the begging of this post?

If I could give you a little piece of advice I’d tell you that in 2015 you should pay more attention to your feelings, try to get to know you better and thus you’ll be able to do anything you set your mind to. I’m not saying it’ll be easy, but the more you know yourself, the easier it’ll be to fight whatever struggles you might face.

I’d like to finish this post by thanking every one of you who were part of my 2014. For those who’ve been around me, know that I enjoyed and I’m thankful for the moments we shared together. For those I didn’t meet or didn’t talk to, let’s make 2015 different. For those of you who take the time to read my posts, thanks for being part of this. And a special thanks to my mom for teaching me such an important lesson.

Happy new year to y’all!

A estadia do caos, um museu único em Saint-Romain-au-Mont-d’Or

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Se um dia você estiver passando por Saint-Romain-au-Mont-d’Or provavelmente vai achar que é apenas mais um daqueles pequenos e belos vilarejos franceses. Suas ruas estreitas, restaurantes aconchegantes e belos casarões antigos feito de pedras com cores douradas te darão essa impressão.
Mas uma hora ou outra você verá alguma parte da Estadia do Caos (Demeure du Chaos), um museu de arte contemporânea com mais de 3500 obras de arte, e perceberá que esse pequeno vilarejo nas montanhas próximas à Lyon não é nada comum.

Bem vindo a Estadia do Caos!

O museu foi criado por Thierry Ehrmann na sua própria casa em 1999, de acordo com o site do museu.

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A Estadia do Caos celebra 14 anos de luta e resistência.

Ele convidou artistas pra trabalhar com ele in-loco, assim poderia compartilhar ideias e criar arte que se conecta com diferentes países e culturas. Desde sua criação, os habitantes do vilarejo em conjunto com o conselho da cidade tentam fechar o museu de Ehrmann. Sua batalha com o conselho chegou ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos, onde o caso está sendo analisado.

Você é livre?

Entendo os moradores que são contra o museu, mas não tem como não admitir que é um museu único e seria triste vê-lo fechado e voltando a ser um casarão antigo, comum e sem graça. Sua artes carregadas de significados politicos nos fazem parar e refletir sobre problemas atuais em nossa sociedade e governos.

Caso você queira entender um pouco mais sobre o caso, eu recomendaria dar uma olhada nesse artigo (em inglês) do Wall Street Journal. Se você quiser ajudar Ehrmann na sua luta contra o conselho da cidade, você pode mostrar o seu suporte assinando essa petição here. Eu já assinei.

O que você achou desse museu? Já encontrou algum museu diferente e único em outro lugar do mundo?

The Abode of Chaos, an unique museum in Saint-Romain-au-Mont-d’Or

Gostaria de ler esse post em Português? Clique aqui.

If you ever find yourself in Saint-Romain-au-Mont-d’Or without having heard of it before, you may at first think it’s just one of those small and beautiful French villages. Its narrow streets, cosy restaurants and fancy old houses made of stones with golden colours will give you this impression.
Eventually you will face the Abode of Chaos (Demeure du Chaos), a museum of contemporary art that includes more than 3500 artworks, and will realize that this little village in the mountains near Lyon is much more than just another regular French village.

Welcome to the Abode of Chaos!

The museum was created by Thierry Ehrmann in his own house back in 1999, according to the museum’s website.

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The Abode of Chaos celebrates 14 years of fight and resistance.

He invited artists to work with him in-loco, so they could share ideas and create art connecting different countries and cultures. Since its creation, the inhabitants of the village together with the town council have been trying to shut Ehrmann’s museum down. His battle with the town council has gone to the European Court of Human Rights, where the case is being analysed.

Are you free?

While I can understand the ones against it, you gotta admit this museum is somehow unique and would be a shame to have it shut down, turning it back to just a regular and boring old house. Its art carried with political messages makes us stop and reflect about the problems of our societies and governments nowadays.

In case you want to understand a bit more about the case, I’d recommend checking this Wall Street Journal’s post. If you’d like to help Ehrmann in his fight against the town council, you can show your support signing up his petition here. I’ve already signed it up.

What’d you think about Ehrmann’s museum? Have you ever found an unique museum around the world?

[Photography] Refuge du Fond d’Aussois, France

On mid-August we had the chance to explore a bit the French Alps and here you’ll find a couple of pictures we took while visiting the Refuge du Fond d’Aussois. More to follow on a full post soon.

No meio de agosto tivemos a chance de explorar um pouco os Alpes Franceses e aqui você encontrará algumas fotos que tiramos durante a nossa visita ao Refuge du Fond d’Aussois. Post completo em breve.

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[Photography] Refuge des Évettes, France

On mid-August we had the chance to explore a bit the French Alps and here you’ll find a couple of pictures we took while hiking up to the Refuge des Évettes in France. More to follow on a full post soon.

No meio de agosto tivemos a chance de explorar um pouco os Alpes Franceses e aqui você encontrará algumas fotos que tiramos subindo a trilha até o Refúgio dos Évettes. Post completo em breve.

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A short note about our first anniversary!

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Yes, it’s been one year since I started writing here and if you follow us since our very first post, you might have noticed that the subjects of our posts have changed a bit.

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Well, when I started, after returning from one year living abroad, most of my trips had people involved, I couchsurfed, I hitchhiked, I visited friends I made during my time in Ireland, and I’m sure that none of my trips would have been so great if it wasn’t by all those people I’ve met while travelling. All of this made me realize that the aspect I enjoy most about travelling is by far meeting people. There’s so much you can learn from all those people out there, who have different backgrounds, opinions and ideas from yours. I know how much I have changed since I started all those trips and how much I still want to change whilst exploring this world.

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But yeah, things change. From solo travel I’ve slowly moved to couple travel. I have found an amazing partner who shares the same passion for travelling that I have. And together we’ve been able to visit amazing places in this beautiful world. We are passionate by great outdoors and after exploring Brazil together for only a couple of weeks, we’ve been exploring France now, as we’re based in Lyon.
Unfortunately, Jessica and I haven’t had the chance to couchsurf and hitchhike together, but we’ll change it soon.

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There’s still plenty I have to write about my solo trips, loads to write about our couple trips and every now and then Jessica also shares her experiences here. So keep on following us and you’ll find more of those amazing meeting with incredible people out there, along beautiful places we’ve been exploring outdoors.

Cheers,
H.

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Um breve post sobre o nosso primeiro aniversário!

Do you wanna read it in English? Click here.

Sim, há um ano comecei a escrever aqui e se você segue a gente desde o primeiro, talvez tenha notado que os assuntos nos posts tem mudado um pouco.

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Bem, quando comecei, eu tinha acabado de voltar de um ano vivendo fora do Brasil e grande parte das minhas viagens teve pessoas envolvidas, eu dormi no sofá de muitas pessoas, peguei carona, e visitei amigos que tinha feito durante o tempo em que morei na Irlanda, e tenho certeza que nenhuma dessas viagens teria sido tão incrível se não fosse pelas pessoas que encontrei enquanto estive viajando. Isso me fez perceber que o aspecto que eu curto mais sobre viagens é de longe encontrar pessoas. Tem tanto pra se aprender dessas pessoas, que tem uma “bagagem”, opniões e ideias diferentes das suas. Eu sei o quanto eu mudei desde que comecei essas viagens e o quanto eu ainda espero mudar explorando esse mundão.

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Mas sim, as coisas mudam. De viajante solo, lentamente mudei para viajante em casal. Encontrei uma parceira incrível que compartilha essa paixão por viajar que eu tenho. E juntos nossos conseguimos visitar lugares incriveis. Somos apaixonados pela natureza e depois de explorar o Brasil por apenas algumas semanas, nós passamos a explorar a França, uma vez que estamos morando em Lyon.
Infelizmente, eu e a Jessica ainda não tivemos uma chance de usar o couchsurfing e pedir caronas juntos, mas isso irá mudar em breve.

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Ainda tem muito que preciso escrever sobre minhas viagens sozinho, muito pra escreve sobre nossas viagens como casal, e de vez em quando a Jessica também vem aqui compartilha as experiências dela. Então continue seguindo a gente e você encontrará mais sobre esses incriveis encontros com pessoas pelo mundo, junto com belas paisagens que temos explorado na natureza.

Obrigado,
H.

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