[Post convidado] Crown Mountain – O sabor da conquista de uma coroa

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Desde quando cheguei em Vancouver tenho feito algumas trilhas. Entre montanhas, lagos e parques, o que começou como uma atividade turística acabou se tornando parte do meu novo estilo de vida, uma verdadeira paixão. Encontrei na natureza a paz que eu tanto procurava e além disso, a certeza de que sempre irei viver uma aventura única já que os desafios sempre irão surgir nas trilhas em diversas maneiras. Comecei então a procurar por trilhas mais desafiadoras, ao invés das mais fáceis e populares. Foi quando descobri a Crown Mountain, meu maior desafio até o momento.

O que faz essa trilha ser tão difícil é que você tem que descer uma trilha muito íngreme até a passagem da Crown antes de subir o lado íngreme da Crown Mountain, e então retornar pelo mesmo trajeto. A mudança de elevação engana se comparada com outras trilhas, pois você tem que essencialmente caminhar pela mudança de elevação duas vezes. (Vancouver Trails)

Depois de duas tentativas mal-sucedidas de chegar ao topo da Crown Mountain, um amigo e eu decidimos que deveríamos tentar novamente. Em ambas, achamos que poderíamos ser mais fortes que a natureza tentando encarar as péssimas condições do tempo. Mas nossa terceira tentativa deveria ser bem-sucedida, assim refletimos sobre nossos erros pra nos prepararmos melhor e esperamos pelo dia com as melhores condições climáticas. Não haveria algo que pudesse nos desencorajar a chegar ao topo da Crown. Nós estavámos convencidos e focados em chegar lá.

Fomos expulsos da montanha devido ao tempo nublado e chuvoso na nossa primeira tentativa.

Com o intuito de guardar energia para a Crown, subimos a Grouse Grind em 1h27m. Uns 20 minutos acima do tempo que tinhamos feito das últimas vezes. Paramos então no restaurante da Grouse para um café rápido e seguimos para a trilha da Crown. No topo da Grouse, os funcionários já estavam preparando a pista de esqui para a temporada, jogando gelo com as máquinas e cobrindo todo o chão. A paisagem e o ambiente eram completamente diferentes de algumas semanas anteriores.

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Duas fotos do mesmo lugar com 4 semanas de diferença.

A trilha também estava bem diferente das últimas vezes. Havia gelo e neve em alguns trechos, o que deixava o caminho escorregadio e um pouco perigoso. Algumas partes da trilha pareciam uma pista de patinação no gelo, não tinhamos então outra opção a não ser deslizar sobre o gelo de um ponto ao outro. E quando não estávamos deslizando ou caminhando, tinhamos que escalar. Diversas vezes ficávamos parados por minutos observando as pedras congeladas e a água escorrendo por baixo do gelo, tentando descobrir uma forma de avançar o caminho obstruído na trilha. O risco de cair e rolar ribanceira abaixo era iminente. Segurança era algo inexistente. A adrenalina é inerente na montanha.

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Patinar no gelo às vezes era a única opção para avançar na trilha.

Apesar de todos os obstáculos e riscos presentes no caminho, seguimos numa velocidade boa. Foi quando chegamos ao ponto que tinhamos parado da primeira vez. A partir dali, tudo seria novidade. Confirmamos no mapa e vimos que faltava pouco para alcançarmos o topo. A ansiedade aumentava a cada passo. A sensação de estar tão perto de uma dura conquista era aliviadora.

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Stalactites que mais pareciam lanças de gelo.

Os últimos passos até o topo da montanha parecem ser os mais longos. Mas a montanha parece de alguma forma me empurrar para cima e colocar as forças que já faltavam nas minhas pernas. E a prévia da vista do topo é estonteante. Cada respirada enchia meus pulmões com um ar frio e leve. O sentimento de felicidade era único, pois era gerado por uma vista incrível das montanhas com neve no topo e vales intermináveis repletos de árvores.

Logo avistamos um corvo no cume. Nosso objetivo era chegar onde ele estava, mas ele parecia reinar e demonstrava ser o dono da montanha quando olhava pra nós. Como se estivesse nos dizendo que ele chega ali muito mais rápido que nós e com muito menos esforço que nós, na hora que ele quiser. Mas o rei da montanha foi generoso, voou sutilmente para uma pedra ao lado e nos deu espaço para nos sentirmos reis também por alguns instantes.

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Os últimos passos até o topo. O rei já estava lá.

Estar sentado em uma pedra a 1.504 metros de altitude me deixou sem palavras. Qualquer descuido ou perda de equilibrio poderia custar minha vida. Não havia nada abaixo de mim para me segurar caso eu escorregasse. Um giro de 360º com a cabeça me dava a real noção de quão alto estavámos. Era possível ver a cadeia de montanhas de Squamish e Whistler ao norte, a cadeia de montanhas da região de Coquitlam e Chilliwack ao leste, a Vancouver Island ao oeste e até algumas montanhas da fronteira com os EUA ao sul. Eu não sabia pra onde olhar. Neste momento ficou claro pra mim porque o corvo se sentia o rei sentado naquela pedra, privilegiado ele por poder ter essa vista quando quiser.

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Os inúmeros vales e as montanhas nevadas da região de Squamish e Whistler ao fundo.

Comecei a contar com meu amigo a quantidade de vales que conseguíamos ver em direção ao leste, conseguimos contar 8. E entre um vale e outro, haviam as montanhas repletas de pinheiros ainda verdes e algumas com neve no topo. Essa sequência, caprichosamente esculpida pela natureza, me dava a impressão de que as montanhas eram como as ondas do mar e estavam em pleno movimento nos levando pra longe. Mas o mais impressionante mesmo era o silêncio, tão constante que me dava a impressão de estar em outra dimensão. Poucas vezes interrompido pelo grito de um corvo ou do vento contornando a montanha. Era um silêncio misterioso, um silêncio que não incomodava. Parecia ter tanta coisa acontecendo lá embaixo dentro da floresta, mas ao mesmo tempo parecíamos estar distantes de qualquer ser vivo. Um silêncio raro cheio de paz, impossível de ser sentido na cidade.

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A Goat Mountain em destaque e toda a imponência do Mount Baker ao fundo, com seus 3.286m de altitude e a 116km de distância em linha reta, já em território americano.

Cidade que de lá de cima parecia ser uma maquete. Os navios na English Bay pareciam de brinquedo, como se alguém tivesse colocado eles com o dedo e deixado lá por horas parados. Os prédios, árvores e parques da cidade pareciam uma cena do jogo The Sims, e claro, como se eu estivesse ali jogando. Eu via a cidade mas ela não me via. Eu não ouvia a cidade e ninguém também me ouvia. Eu estava perto de tudo e longe ao mesmo tempo. Eu estava na montanha, mas o mundo continuou acontecendo.

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O espelho, a maquete e os navios de brinquedo.

No topo de uma montanha, a única certeza que temos de que o tempo não parou é o sol. E o sol de outono sempre longe no horizonte iluminava a English Bay e o mar que refletiam sua luz como um espelho. Os vales localizados atrás das altas montanhas já deviam estar há dias sem receber uma luz sequer do sol, e com certeza, passarão os próximos meses assim. Seu calor, que quase não chegava em nós, era insuficiente para nos aquecer.  Por sorte não ventava forte e estávamos (dessa vez) bem agasalhados. Aliás, a temperatura no topo da Crown devia estar beirando os 0ºC. Conforme o sol foi baixando, lembramos então que era hora de partir, afinal era um dia de outono, tinhamos pouco mais de 8 horas de luz natural, não podiamos esquecer do tempo, senão a descida no escuro poderia ficar mais difícil ainda.

O caminho de volta só não foi pior por causa do descanso e da relaxada nas pernas que tivemos no topo. Voltamos devagar, mas numa velocidade constante, com aquela sensação maravilhosa de objetivo conquistado. Ainda assim, entre uma escalada e outra da trilha, eu sentia o músculo da coxa puxando e implorando para eu parar. Claro que eu o ignorava e continuava andando. Contudo, algumas paradas foram inevitáveis pra apreciarmos a beleza do pôr-do-sol que timidamente brilhava entre os pinheiros, e a cidade se iluminando preparando-se para a noite. E antes de retornar à cidade, ainda paramos por um tempo no início da trilha pra apreciarmos os últimos raios de sol no horizonte e as incontáveis estrelas começando a aparecerem no céu limpo.

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A cidade se iluminando com a chegada do anoitecer.

Quanto maior o desafio, aior a vontade de conquistá-lo. Pode ser o topo de uma montanha ou todos os desafios que aparecem na via, nós não devemos nunca desistir dos nossos sonhos e objetivos, nao importa quantas vezes nos teremos que tentar ou quao dificil eles serão, se acreditamos que podemos fazer, entao realmente podemos. A Crown Mountain foi um dos maiores testes psicológicos que já tive na minha vida. Porem, me fez descobrir que sou mais forte do que pensava ser. E assim como na vida, a montanha definiu suas regras e determinou duros obstaculos para chegar la. Como se ela fosse uma rainha e tivesse dado o recado: “vou fazer você pensar em desistir do início ao fim, mas se você persistir não se arrependerá de conquistar a minha coroa”. Preciso dizer se valeu a pena?

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A todo momento o sol está sempre se pondo para alguns e nascendo para outros. Desafios que chegam ao fim, novos desafios que vem a surgir.

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Perguntas respondidas: Intercâmbio em Dublin

Há algum tempo escrevi um post sobre meu intercâmbio em Dublin e volta e meia recebo algumas perguntas de uma galera interessada em ir pra lá. Então resolvi criar o espaço aqui, pra tentar responder essas perguntas e se possível ajudar quem está na procura dessas informações. Se você caiu direto aqui, aconselho dar uma lida no primeiro post e se achar necessário, volte aqui depois.

Vamos lá!

DOCUMENTOS/PLANEJAMENTO

Documentação (passaporte, visto etc): como funcionam os trâmites, o que eu preciso fazer e o que a agência faz.

Passaporte válido: alguns países exigem visto com no mínimo 6 meses de validade. Importante checar isso pra não correr nenhum risco. Aí é por sua conta, qualquer dúvida dá um pulo na polícia federal e resolve sua situação antes da viagem.

O visto vai depender da duração da seu curso. Se você for estudar por menos que 3 meses, não há necessidade de visto. A Irlanda faz parte do acordo de schengen e brasileiros podem viajar pelos países que fazem parte desse acordo por até 90 dias num período de 6 meses sem visto.
Mas se você for estudar por mais de 3 meses, tem que tirar visto e ele é feito na Irlanda. Para aplicar para o visto mais comum de estudo+trabalho, é necessário levar uma carta da escola (curso com carga horária mínima de 15h/semana), seguro de saúde (falo mais tarde), 3000 euros em uma conta em um banco irlandês (também já falo) e comprovante de endereço. Os dois primeiros você resolve antes da viagem, sendo que se fechar com agência, te entregarão a carta da escola e oferecerão algum seguro de saúde (da pra fechar por conta se achar melhor). Os outros dois se resolve quando chegar.

Chegando no aeroporto, vão te perguntar o que você vai fazer no país. Diga que vai estudar, não precisa mencionar que quer trabalhar. Apresente a carta da escola, o seguro de saúde e talvez te peçam um comprovante de moradia (eu não fui com acomodação estudantil, ou casa de família, e acho que não me pediram isso, mas eu tinha o comprovante de estádia de 2 semanas em um hostel). Eles vão carimbar seu passaporte com um visto temporário de um mês, que é o prazo que você tem pra abrir sua conta, e acertar seu endereço. Junto com o carimbo te entregarão um papel com o endereço do centro de imigração que você deve comparecer com os documentos. Não esquentem que essas perguntas no aeroporto são simples, curtas e não vão levar muito tempo. Contando que você tenha os documentos certos, então preste atenção, não são muitos (:

[Se quiser saber mais sobre esses vistos ou outros, aconselho esse link.]

Seguro de saúde é obrigatório? Como ele é feito? Agência ajuda com isso? Existem diferentes opções? Quais os valores?

Sim, obrigatório. É feito antes da sua viagem. Agência ajuda. São basicamente duas opções: governamental ou privado. O governamental é mais barato, porque basicamente, se você precisar fazer qualquer coisa no médico lá, vai ter que pagar. O privado é mais caro, mas vai te cobrir até o quanto você quiser cobertura e estiver disposto a pagar, e aí chegando lá, não precisa se preocupar com nada, o seguro que paga.

Eu embarquei no espírito, sou jovem ainda jovem ainda jovem ainda, vai dar tudo certo e somente com o seguro governamental. Cada visita ao médico me custaria por volta de 60 euros, e na época, pelas minhas contas eu teria que ir ao médico pelo menos umas 10 vezes pra que o privado valesse mais a pena. No final das contas, não fui nenhuma, e pra mim, o governamental foi a melhor escolha. Mas pense bem sobre sua situação médica e escolha o que melhor se encaixa no seu bolso e perfil.

Grana necessária para entrar no país.

Se você for tirar visto, é necessário levar 3000 euros para depositar em um banco irlandês. Opa, pera lá, e vou poder usar esse dinheiro? Sim, pode. A imigração vai querer ver um extrato emitido por um banco irlandês em uma conta no seu nome com o saldo de 3000 euros. Uma vez que você emitiu o extrato pra levar na imigração, já pode começar a usar o dinheiro dessa conta. Pro governo irlandês, esse dinheiro é uma garantia que você terá como se sustentar durante o período em que estiver estudando.

Conta em banco: O que eu preciso fazer e o que a agência faz?

A conta em banco é contigo. O máximo que a agência vai fazer, é recomendar que você leve a grana necessária para depositar no banco em um cartão pré-pago e vão te encaminhar para alguma agência de câmbio conhecida deles. Mas, você que decide como vai levar essa grana.

Bom, com os 3000 na cueca (ou de preferência no cartão pré-pago), a carta da escola e um comprovante de endereço, você deve ir a um banco irlandês e abrir sua conta de estudante (eu abri no Bank of Ireland, mas os serviços do Ulster são bem melhores). O comprovante de endereço é onde eles te enviaram seu cartão, senha e extrato, então é importante que você leve um comprovante de um endereço onde você realmente vai ficar. Não vai querer receber seus documentos de banco num endereço que decidiu passar apenas as duas primeiras semanas, né?

O que é GNIB?

Pra simplificar, é seu visto. Quando você tiver todos os documentos e levar na imigração, vai pagar uma taxa de 300 euros (quando fui era 150, então preste atenção e se mantenha atualizado) e eles emitem na hora o GNIB. Tome cuidado e não perca esse trem, porque se perder, vai ter que desembolsar outros 300 euros. Tem gente que acha legal viajar com ele, pra mostrar na imigração de outros países pra provar que está estudando na Irlanda e não tem intenção de ficar no país que está visitando. Eu acho válido. Principalmente no aeroporto de Madrid, às vezes a imigração embaça na vida dos brasileiros, e uma prova a mais sempre ajuda.

Carteira de motorista. Poderei dirigir? O que fazer para ter uma internacional? Vale a pena? Custa?

Nossa CNH é válida por um ano na Irlanda. Então não precisa se preocupar em tirar carteira internacional. Quando pesquisei no site do Detran, era uma paulada (coisa de 300 dilmas. sou pobre, acho caro) e não achei que valia a pena. Mas, se você planeja viajar de carro por outros países que não a Irlanda, vale a pena conferir antes e ver se a CNH também é válida nesses outro países, do contrário, talvez seja válido pagar a paulada pela carteira interancional.

ESCOLA

Gostaria de saber se você já possuía uma nível de inglês bacana quando pisou pela primeira vez na Europa…se não, é possível chegar só com um inglês intermediário e aprender realmente falando na escola e com as pessoas?

Quando cheguei na Irlanda, meu nível era intermediário. Há poucos meses voltei pra Irlanda, bati um papo com o diretor da escola em que estudei e ele falou: “Poxa, Hector. Lembro quando você chegou na escola, não conseguia falar nada, e agora estamos aqui conversando numa boa.”

Realmente eu não falava quase nada, gaguejava e a galera terminava as frases por mim. Mas estando lá você é obrigado a falar o tempo todo, e o aprendizado é muito rápido. No Brasil, se você estudar em uma escola 4 horas por semana, em um mês estudou 16 horas. Isso aí é uma semana só de aula na Irlanda. E outra, tem atividades extra classes, você fará amigos, vai colar num pub, vai ao supermercado, ao banco, ao trabalho, e tudo isso é prática. Quanto mais você se esforçar pra falar fora da escola, mais rápido vai aprender. Então, sim, é possível.

Pesquisar as diferentes escolas e o que elas oferecem / Valores / Localizações / Nº de brasileiros envolvidos / Procurar pessoas que já estudaram lá

Existem centenas de escolas, com valores diferentes, localizações diferentes, quantidade de brasileiros diferentes (a maioria tem bastante). Por isso é díficil falar qual é a ideal pra você. Pesquise bem, fale com que já estudou em alguma escola que você ficou interessado. Tente entender qual o seu objetivo, suas necessidades, e aí você vai encaixar a que faz mais sentido pro seu bolso e para as suas expectativas. Escolas no centro costumam ser mais baratas, ter mais estudantes e consequentemente mais brasileiros. “Nossa, achei essa escola super barata e parece ser ótima.” Só parece, amiga. Geralmente, o preço que você paga pela escola, é equivalente ao serviço que elas prestam.

Pra mim, o melhor foi a Kenilworth. Conheci outras escolas, já dei palestras pela agência Vision (recomendo que façam uma visita e conversem com o Michael), dá última vez que estive em Dublin visitei duas escolas que trabalham com a agência de intercâmbio onde minha namorada trabalha aqui na França (confuso? desculpa haha), e depois de tudo isso, ainda tenho certeza que fiz a escolha certa. A Kenilworth não me paga nada pra falar isso, mas não existe dinheiro que pague pela parte deles no crescimento da minha vida.
Se no final das contas decidir estudar lá, quando conhecer o diretor, Colm, diga que mandei um grande abraço.

Aqui no blog, todos os textos tem versões em inglês e português. Os meus posts em inglês quando revisados, são revisados por outros dois ex-alunos da Kenilworth. Meu inglês está longe de ser perfeito, mas talvez te ajude a ter uma ideia.

Qual a real possibilidade de conseguir tirar o Cambridge estudando lá? A escola ajuda com a infra? Posso fazer a prova lá ou preciso voltar ao Brasil?

A maioria das escolas trabalham com diversos tipos de certificados e com certeza te ajudaram com isso. O interessante de tirar lá é pelo fato de você estar vivendo a língua e provavelmente estará mais solto. Mas tem que ralar. Um amigo tirou o CAE estudando com ajuda da Kenilworth e muito esforço próprio.

MORADIA

Onde morar? Pesquisar as diferenças dos bairros (números). Em cima do rio ou abaixo do rio? Mais ao centro ou mais afastado?

O rio Liffey divide a cidade.

O rio Liffey divide a cidade.

 

Existe uma richa entre o norte e sul da cidade. Relaxa, ninguém no norte da tiro em que é do sul, e vice-versa. Eu morei no sul e não vejo motivos pra morar no norte. Em Dublin, é diferente de, por exemplo, São Paulo: quanto mais central, mais barato. Porquê? A cidade é pequena, o pessoal mora afastado do centro em casas maiores, mais confortáveis, em bairros completamente residencias, mais tranquilos. Essa tranquilidade custa mais caro que o agito do centro da cidade.

Mas acho que o mais interessante é achar um lugar pra morar próximo a escola em que vai estudar. A cidade é pequena, e talvez você diga: “Ahh, sem problemas, vou estudar nessa escola que fica a só 20 minutos de bike da minha casa.”
Amigo, quando o frio chegar, você vai querer morar do lado da sua escola. E outra, vai por mim, fazer as coisas andando, ou pedalando a lugares próximos, é um dos pontos altos de se viver em Dublin.

Como funcionam os contratos, se é que eles existem? Semanal, mensal, tanto faz?

Geralmente não tem contrato, as casas são por muitas vezes dividias entre estudantes, e você entra pegando o quarto de algum estudante que está voltando pro seu país. Vai ter que pagar um depósito no valor do aluguel mensal, e cada mês tem que pagar o landlord (locatário). Geralmente se avisa um mês antes que vai sair, e se você tiver pago todos os aluguéis, quando sair o landlord devolve o seu depósito.

Custos de vida: Aluguel / Alimentação própria / Lazer

Eu pagava 320 euros em um quarto grande, com cama de casal, em um ótimo bairro, Terenure em Dublin 6. Tive sorte, acho que hoje já não é tão fácil de achar preços assim. Mas vai variar entre 200 e 500, dependendo do bairro e tipo do quarto.
Eu não gastava mais que 100 euros em compras mensais. No começo talvez você gaste mais, até conhecer os supermercados e produtos. Depois de um tempo se acerta pelo seu budget. Eu fazia compra toda segunda, e passava em quatro supermercados diferentes. Já sabia qual produto era melhor e mais barato em determinado supermercado. Cinema, jantar fora, e muita cachaça/cerveja fora era luxo. Tinha a grana reservada pra breja, mas não esbanjava, porque sai caro.

TRABALHO

Qual a documentação necessária para o trabalho legalizado?

O PPS.

O que é PPS?

É como uma carteira de trabalho. Quando você trabalhar legalizado, vai pagar impostos, e esses impostos são vinculados ao número do seu PPS. Antes de voltar para o Brasil, você pode solicitar que devolvam os impostos pagos. Seu empregador precisa enviar uns formulários pra que isso aconteça, então antes de sair em definitivo de algum trabalho, solicite o envio desses formulários.
Então, se tiver interesse em trabalhar, assim que chegar na escola, peça a carta pra tirar o PPS.

Quais os tipos de emprego que poderei procurar?

Trabalhos de contrato de até 6 meses, quando tiver terminado o curso. Durante o curso, apenas trabalhos de até 20 horas semanais. Mas é aquela velha história, brasileiro da jeito pra tudo. Tem muita gente que trabalha mais que as 20 horas enquanto estuda, chegando lá você vai conhecer alguém que faz, e eles te ajudarão caso precise. Sim, ter amigo brasileiro nem sempre é ruim 😉

Qual a real possibilidade de encontrar um emprego em minha área?

Depende da sua area e formação. Caso seja formado, tiver interesse em trabalhar na area e souber de possibilidades, vale a pena traduzir diplomas pra apresentar em entrevistas.
Em TI, por exemplo, tem muito trabalho, mas quando fui, não consegui por questões do visto. Hoje já existem outras possibilidades de visto de trabalho, mas aí é legal verificar antes de ir.

Qual a média de grana que dá pra fazer em um mês? Suficiente para pagar aluguel+alimentação?

Trabalhando no restaurante numa média de 20 horas por semanas, mais as caixinhas, eu tirava entre 800 e 1000 euros por mês. Aí você tira os 320 que pagava de aluguel, 100 de comida, 27 com academia e o resto era tomar minhas brejas e guardando para as viagens.

Dá pra conseguir emprego no começo do intercâmbio, justamente quando o nível de inglês está o mais baixo possível?

Dependende do tipo de trabalho que você estiver disposto a fazer. Quando comecei no restaurante lavando louça, o outro rapaz que era responsável pela louça não falava nada de inglês. Nada mesmo. Sabia o nome dos utensílios, e era rápido que só a porra. Esforçado pra caralho. Se você não fala nada, não vai arrumar uns trampos muito bons, mas da pra trabalhar e pagar as contas.

Lembro que você não conseguiu trabalhar na sua área pelo primeiro ano e começou a trabalhar num restaurante, gostaria de saber se valeu a pena essa experiência e se com o salário dava para pagar o aluguel e viver com qualidade de vida na Europa?

Amei a experiência, se pudesse voltar no tempo e escolher, faria de novo. Foi algo completamente diferente pra mim, mas algo que me enriqueceu demais como pessoa. O trampo era osso, puxado, cansativo, muita merda aconteceu, mas nunca deixei essas merdas me abalarem demais. Sempre olhei com uma experiência temporária e que tiraria o melhor daquilo. E isso só me trouxe coisas boas. Boa parte do meu crescimento como pessoa e do desenvolvimento do meu inglês, eu devo a esse trampo lavando louças. Mas é aquilo, tudo depende da sua atitude.
Quanto ao salário, com mencionei acima, é suficiente pra viver tranquilo, sabendo moderar. Com meu salário eu sabia que não podia ir ao cinema sempre, ou jantar fora, ou beber muito algumas vezes, mas a minha qualidade de vida não era medida por essas coisas, e sim pelo fato de que em 8 minutos a pé, ou 2 pedalando, eu chegava no trabalho, que em 20 minutos de bicicleta eu estava no centro pra sair a noite, que voltava de bicicleta as 3/4/5 horas da manhã pra minha casa (crianças não pedalem bêbados voltando pra casa, é muito muito divertido, e vocês terão muitas histórias pra contar perigoso, perigoso, só fiz uma vez pra nunca mais viu mãe), ir ao parque do lado de casa pra correr, respirando um ar puro. Isso pra mim era muito melhor do que não poder ir ao cinema ou jantar fora.

Foi com esse dinheiro (restaurante) que você viajou na Europa ou você teve que levar mais, mesmo com o CouchSurfing?

Olha, era pra ter sido só com a grana do restaurante. Mas como falei, merda acontece. Meu chefe era meio caloteiro e demorava pra me pagar, mas antes de eu por o pé na estrada, conversei com ele, e ele prometeu ir depositando a grana que me devia aos poucos durante a viagem. O problema é que ele não depositou. E depois de algumas noites dormidas em estações de trêm e bancos de praça, eu peguei uma grana que tinha guardado pra quando voltasse ao Brasil e usei durante a viagem. Mas mesmo assim, não foi muito. Minhas viagens era feitas com um budget diário de 20 euros, o que acho baixissimo, e por muitas vezes eu não nem usava todo meu budget. Se será suficiente ou não, vai depender do quanto você conseguirá guardar por mês, e de como fará suas viagens depois.

E sua visão de mundo e do Brasil mudou com esse intercâmbio? Se sim… o que especificamente? Você voltaria a morar no Brasil depois de conhecer todos esses países e culturas? Pergunto isso, pois muitos brasileiros daquele programa o Mundo Segundo os Brasileiros sentem muita falta dos amigos, família, da comida, mas realmente não querem voltar tão cedo ao país do futebol.

A visão do mundo muda quando você está em contato com pessoas de lugares diferentes. Meu círculo de amigos era formado por italianos, franceses, chilenos, sul coreanos, omanenses, irlandeses, espanhóis, belgas, romenos, poloneses, e algumas outras nacionalidades. Esse mix de culturas te faz ver o mundo com outros olhos, te faz entender outras culturas e desmitificar clichês.

Talvez muita gente não pense em voltar, porque viu que fora é mais fácil de viver mais com menos. E entendo isso.
Pra mim, viver fora ainda está muito mais ligado a esse contínuo ganho de aprendizagem sobre o diferente e sobre mim mesmo. Distante de família e amigos próximos, tive mais tempo de me conhecer melhor.
Junto com essa curiosidade de conhecer novas culturas, também cresceu a vontade de conhecer melhor meu próprio país. Nosso país é gigante, cheio de contrastes entre modos de vidas e culturas. E por isso, ainda tenho muita vontade de viver no Brasil e viajar por lá.

Também senti muita falta do contato com amigos próximos, com a família, um pouco da comida, do clima, e mais do estilo de vida brasileiro. O foda da saudade é que você só lembra das coisas boas. Já tá lembrando da(o) ex que era tão amorosa(o), carinhosa(o), mas já esqueceu que era um(a) cafajeste, né? Pois é, pela saudade, pintei na memória algumas coisas mais bonitas do que realmente eram. Não que sejam assim terríveis, apenas acontece que eu mudei, e coisas que passei a dar valor, foram mais difíceis de alcançar quando voltei à São Paulo do que eu esperava. A experiência fora me fez ver que em qualquer lugar do mundo, mesmo que em certos lugares possam ser mais difíceis que em outros, é possível se adaptar a realidade que você quer para sua vida. No meu retorno passei a priorizar coisas que não priorizava antes do intercâmbio  e apesar de certas terem sido difíceis (ou caras), consegui aplicar muitas dessas coisas.

E por uma razão completamente diferente e não esperada, meu retorno à São Paulo foi mais curto do que o esperado. Se ainda não fui claro, Dublin ou Lyon não são minha Miami, tem sim muito mais cara de Havana. E hoje penso que se tivesse mais tempo em SP, continuaria lutando pra fazer a minha vida lá a melhor que pudesse, assim como faço aqui e farei em qualquer lugar que venha a morar no futuro. Não me vejo morando em São Paulo novamente, talvez até o possa fazer um dia, mas hoje não consigo ver uma volta definitiva. Mas com certeza poderia voltar a morar no Brasil. Como acabei de falar, essa experiência com muitas culturas diferentes me fez apreciar mais coisas únicas que temos no Brasil, e isso vai além da comida e do clima. Nosso país é um país lindo, com um povo lindo, que passa por grandes problemas, do governo à sociedade, e que tem muito pra ser melhorado, mas com certeza não é tão ruim quanto como às vezes nós mesmos o pintamos.

Tem mais perguntas? Comentem aqui no post que a medida do possível vou atualizando o post com respostas a tais perguntas.

Pra informações mais atualizadas, sempre recomendo o site e-Dublin, que tem conteúdo incrível sobre toda a Irlanda. Outra fonte boa de informações e melhor ainda pra quando estiver vivendo em Dubin é esse grupo no facebook.

Já fez a lista do final de ano?

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Nesse momento, você talvez já tenha olhado para 2014, posto na balança os prós e contras, e decidido se foi um ano bom ou ruim. Provavelmente fez uma daquelas listas com as coisas que pretende fazer nesse ano, e outra com as coisas que quer deixar de fazer. Mas você fez o mesmo durante diversas situações durante o ano? Antes de continuar, gostaria de contar uma história sobre a minha mãe.

Quando eu e meus irmãos faziamos algo errado durante a nossa infância, minha mãe as vezes nos mandava pro nosso quarto pra pensar no que fizemos. Não importava a hora do dia, ela nos “trancaria” no quarto, fecharia as janelas, apagaria as luzes, nos colocaria na cama e nos deixaria lá para pensar.
Você já deve imaginar que isso não funcionou muitas vezes. Se meus irmãos estivessem comigo, nós faríamos de tudo o mais silecionsamente possível para que ela pensasse que nós estávamos deitados na cama pensando. Talvez ela soubesse disso e só queria um tempo livre do caos que 4 crianças podem fazer. Mas prefiro acreditar que ela realmente queria que a gente parasse pra pensar no que tinhamos feito, e eventualmente eu iria fazer isso.

Acontece que tenho feito isso conscientemente nos últimos anos. Eu penso sobre as situações em que passo na minha vida e tento aprender algo dessas experiências. Tento ver maneiras em que poderia fazer algo diferente caso um dia encare o mesmo problema de novo. Olhar para cada uma dessas situações, me permitiu não só evitar cometer mesmos erros, mas também me permitiu treinar minha mente pra focar nas boas coisas e situações que desejo pra minha vida. Eu me conheci melhor, e isso me fez prestar mais atenção a pequenos detalhes e curtir mais o meu presente.

With dear friends in São Paulo, Brazil

Com amigos queridos em São Paulo, Brasil

Provavelmente não viajei o tanto quanto viajei em 2013, mas isso não importa, pois curti cada uma das viagens esse ano muito mais do que as do ano passado. Sozinho ou rodeado de pessoas incriveis, amigos de longo tempo ou novos amigos, momentos longos ou curtos, no frio ou no calor, eu curti e aprendi em cada momento de 2014.

Mesmo que eu tenha alguns objetivos, não fiz lista alguma para esse próximo ano que está para chegar. Tudo que quero é continuar aprendendo, continuar sendo curioso, continuar sendo a pessoa que quero ser.


Lembra o que perguntei no começo do post?

Se eu puder te dar um pequeno conselho, te diria para que em 2015 você preste mais atenção aos seus sentimentos, que tente se conhecer melhor, e assim conseguirá alcançar qualquer objetivo que você colocar na sua cabeça. Não estou dizendo que será fácil, mas quanto melhor você se conhecer, mais fácil será de enfrentar quaisquer dificuldades que você talvez encontre.

Gostaria de finalizar esse post agradecendo a todos que fizeram parte do meu 2014. Para os que estiveram ao meu redor, saiba que eu curti e sou grato pelos momentos que compartilhamos juntos. Para os que não encontrei ou não conversei esse ano, vamos fazer 2015 ser diferente. Para vocês que tiram um tempinho para ler minhas palavras por aqui, muito obrigado por fazer parte disso. E um agradecimento especial para a minha mãe por ter me ensinado essa lição tão importante.

Feliz ano novo para todos vocês!

A estadia do caos, um museu único em Saint-Romain-au-Mont-d’Or

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Se um dia você estiver passando por Saint-Romain-au-Mont-d’Or provavelmente vai achar que é apenas mais um daqueles pequenos e belos vilarejos franceses. Suas ruas estreitas, restaurantes aconchegantes e belos casarões antigos feito de pedras com cores douradas te darão essa impressão.
Mas uma hora ou outra você verá alguma parte da Estadia do Caos (Demeure du Chaos), um museu de arte contemporânea com mais de 3500 obras de arte, e perceberá que esse pequeno vilarejo nas montanhas próximas à Lyon não é nada comum.

Bem vindo a Estadia do Caos!

O museu foi criado por Thierry Ehrmann na sua própria casa em 1999, de acordo com o site do museu.

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A Estadia do Caos celebra 14 anos de luta e resistência.

Ele convidou artistas pra trabalhar com ele in-loco, assim poderia compartilhar ideias e criar arte que se conecta com diferentes países e culturas. Desde sua criação, os habitantes do vilarejo em conjunto com o conselho da cidade tentam fechar o museu de Ehrmann. Sua batalha com o conselho chegou ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos, onde o caso está sendo analisado.

Você é livre?

Entendo os moradores que são contra o museu, mas não tem como não admitir que é um museu único e seria triste vê-lo fechado e voltando a ser um casarão antigo, comum e sem graça. Sua artes carregadas de significados politicos nos fazem parar e refletir sobre problemas atuais em nossa sociedade e governos.

Caso você queira entender um pouco mais sobre o caso, eu recomendaria dar uma olhada nesse artigo (em inglês) do Wall Street Journal. Se você quiser ajudar Ehrmann na sua luta contra o conselho da cidade, você pode mostrar o seu suporte assinando essa petição here. Eu já assinei.

O que você achou desse museu? Já encontrou algum museu diferente e único em outro lugar do mundo?

[Post convidado] O dia que cheguei perto do céu 2 vezes

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No meu post anterior eu falei (e mostrei) um pouco sobre a cidade de Vancouver, seus arredores, sua natureza deslumbrante e algumas trilhas incríveis que existem aqui pela região. Hoje vou contar como foi a trilha que marcou a minha vida e me fez definitivamente sentir que estou no Canadá.

Era um domingo de verão ensolarado, tinha combinado com meu amigo de pegarmos o primeiro ônibus da linha 160 depois das 9h da manhã. Queríamos chegar cedo no Buntzen Lake Park pra fazermos a trilha e aproveitarmos bem o dia. Descemos em Port Moody para pegarmos o ônibus C26, alguns minutos depois chegamos no parque e às 10h30 já estávamos começando a trilha.

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Avisos antes do início da trilha deixam claro sobre a existência de ursos na região e alertam para as pessoas tomarem os devidos cuidados.

No começo tudo é muito fácil e bem sinalizado, mas logo a subida de mais de 1000 metros começa e as pernas sedentárias começam a doer. A trilha não é muito movimentada, encontramos poucas pessoas no caminho, talvez por não ter tanta informação sobre ela na Internet, o que nos dá uma sensação de liberdade maior ainda, pois quando não estamos conversando é possível ouvir o barulho dos pássaros e esquilos correndo pelo mato. Tudo que uma pessoa apaixonada pela natureza gosta.

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Árvores gêmeas cresceram sobre as pedras e formaram uma caverna.

Depois de algumas horas de subida já temos uma prévia da vista da montanha. Paramos por pouco tempo e continuamos. O calor e suor foram aumentando e nossa água acabando. Tínhamos a esperança de encher nossas garrafas em algum rio na trilha, mas a maioria estava seca ou sem condições aparente de se beber. O primeiro desafio havia sido colocado pra nós. Mesmo assim, a trilha e o parque de uma forma geral possuem uma energia diferente, muitos cogumelos e blueberries por todo o lado davam vida à trilha. Pinheiros de todos os tipos e tamanhos nos faziam parar algumas vezes para tirar fotos e apreciá-los.

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Vontade de comer os cogumelos gigantes da trilha.

Era por volta de 13h30 e já haviamos caminhado por um tempo sem ver nem ouvir ninguém. O silêncio era quase que absoluto. A sensação de estarmos longe de tudo, de todos e sem ninguém saber onde estávamos era como uma imersão na natureza no meio do nada. Mas de repente o silêncio foi quebrado. Ouvimos um barulho forte vindo de algum lugar do meio do mato. Na hora paramos de andar e sem precisar falar nada um pro outro sabíamos que aquele barulho não era de esquilo nem de pássaro. O coração começou a disparar. Por uma fração de segundo passou pela minha cabeça pegar a câmera na mochila e filmar, mas nem todos momentos da vida esperam pra serem registrados. Em segundos lá estava ele: um enorme urso preto a uns 10 metros na nossa frente. Meu amigo que estava na minha frente abriu os braços. Fiquei na dúvida entre gritar, falar algo ou simplesmente esperar pela morte. O urso olhou diretamente para nós e voltou para o meio do mato. Como se tivessemos atrapalhado ele entrando em seu caminho. Chegamos perto do céu, mas ainda não era nossa vez de ficar por lá.

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Logo ali a 10 metros na nossa frente estava o urso. Foi como ter vivido um sonho.

Pela descrição da história, o encontro com o urso parece ter durado muito tempo, mas na verdade foram poucos segundos que pareciam que não iriam acabar mais. Senti um risco de morte completamente diferente de tudo que já havia sentido antes, diferente de um assalto, da adrenalina de um salto de para-quedas, de estar a mais de 160 km/h numa rodovia, etc. Era como se tivesse ativado em mim um instinto primitivo natural, como se eu tivesse voltado a fazer parte da natureza, assim como eram os primatas há mais de 200 mil anos. Minhas pernas tremiam sem parar. Depois disso, qualquer barulho que ouvíamos durante a trilha parávamos para prestar atenção, apesar de sabermos que a probabilidade de encontrarmos um outro (ou o mesmo) urso no parque ser mínima, afinal ursos não costumam viver em grupos, são espaçosos e vivem num raio de muitos quilômetros de distância entre um e outro.

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Um dos lagos avermelhados encontrados no topo da Eagle Mountain. A cor impressiona, mas todos estavam sem vida.

Com as pernas tremulas por um bom tempo, seguimos nosso caminho. Vimos alguns lagos de água turva e sem muita vida no topo da montanha e finalmente chegamos no topo de algumas pedras, a pouco mais de 1000 metros de altitude, com uma das vistas mais lindas que já vi. Era possível ver de lá de cima o Buntzen Lake, a Diez Vistas, North Vancouver, Vancouver e arredores. O nome da montanha logo fez sentido quando avistamos algumas águias sobrevoando nossas cabeças. Depois de algum tempo, algumas nuvens apareceram e começou a garoar, mas sabia que aquela garoa estava caindo somente sobre nós e não teria força para chegar lá embaixo, como se fosse algum sinal do céu ou alguma mensagem para nós. Senti dali daquelas pedras uma proximidade do céu e uma energia muito boa.

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Nossa vista do topo da Eagle Mountain.

A vontade era de passar o resto do dia e acampar a noite ali, mas não estavámos preparados pra isso. Fiz então o caminho de volta com algumas certezas. A de voltar pra aquele lugar melhor preparado em todos os sentidos, mas também com a certeza de ter agora de fato conhecido o Canadá e vivido uma experiência única. Se cada trilha tem sido uma aventura diferente e nessa me senti tao próximo do céu por 2 vezes, o que esperar das próximas? Na verdade, prefiro não criar expectativas, a natureza sempre cuida de nós e trata de nos surpreender. Ela é perfeita.

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Uma mensagem do céu: viva mais, sua hora não é agora.

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[Photography] Refuge du Fond d’Aussois, France

On mid-August we had the chance to explore a bit the French Alps and here you’ll find a couple of pictures we took while visiting the Refuge du Fond d’Aussois. More to follow on a full post soon.

No meio de agosto tivemos a chance de explorar um pouco os Alpes Franceses e aqui você encontrará algumas fotos que tiramos durante a nossa visita ao Refuge du Fond d’Aussois. Post completo em breve.

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[Photography] Refuge des Évettes, France

On mid-August we had the chance to explore a bit the French Alps and here you’ll find a couple of pictures we took while hiking up to the Refuge des Évettes in France. More to follow on a full post soon.

No meio de agosto tivemos a chance de explorar um pouco os Alpes Franceses e aqui você encontrará algumas fotos que tiramos subindo a trilha até o Refúgio dos Évettes. Post completo em breve.

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Um breve post sobre o nosso primeiro aniversário!

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Sim, há um ano comecei a escrever aqui e se você segue a gente desde o primeiro, talvez tenha notado que os assuntos nos posts tem mudado um pouco.

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Bem, quando comecei, eu tinha acabado de voltar de um ano vivendo fora do Brasil e grande parte das minhas viagens teve pessoas envolvidas, eu dormi no sofá de muitas pessoas, peguei carona, e visitei amigos que tinha feito durante o tempo em que morei na Irlanda, e tenho certeza que nenhuma dessas viagens teria sido tão incrível se não fosse pelas pessoas que encontrei enquanto estive viajando. Isso me fez perceber que o aspecto que eu curto mais sobre viagens é de longe encontrar pessoas. Tem tanto pra se aprender dessas pessoas, que tem uma “bagagem”, opniões e ideias diferentes das suas. Eu sei o quanto eu mudei desde que comecei essas viagens e o quanto eu ainda espero mudar explorando esse mundão.

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Mas sim, as coisas mudam. De viajante solo, lentamente mudei para viajante em casal. Encontrei uma parceira incrível que compartilha essa paixão por viajar que eu tenho. E juntos nossos conseguimos visitar lugares incriveis. Somos apaixonados pela natureza e depois de explorar o Brasil por apenas algumas semanas, nós passamos a explorar a França, uma vez que estamos morando em Lyon.
Infelizmente, eu e a Jessica ainda não tivemos uma chance de usar o couchsurfing e pedir caronas juntos, mas isso irá mudar em breve.

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Ainda tem muito que preciso escrever sobre minhas viagens sozinho, muito pra escreve sobre nossas viagens como casal, e de vez em quando a Jessica também vem aqui compartilha as experiências dela. Então continue seguindo a gente e você encontrará mais sobre esses incriveis encontros com pessoas pelo mundo, junto com belas paisagens que temos explorado na natureza.

Obrigado,
H.

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[Post convidado] Vancouver: onde a natureza dá seu toque especial

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Muitas pessoas dizem que Vancouver é a cidade menos canadense, porém a mais bonita do país. Menos canadense talvez devido a grande quantidade de imigrantes que vivem aqui, especialmente asiáticos. Mais bonita provavelmente por causa de suas montanhas ao redor, parques, praias, ruas arborizadas e limpas.

Tanto que em 2011, mais de 8 milhões de turistas visitaram a região de Vancouver, sendo que mais da metade foram canadenses. Mais de um terço dos viajantes vieram para Vancouver e seus parques nacionais e estaduais para fazer atividades ao ar livre, como: camping, pesca, kayak, etc.

A maior parte dos turistas vem para Vancouver no verão e não é à toa, a cidade realmente fica linda. Os dias ficam mais longos com o sol se pondo depois das 21h. Flores decoram ruas. Festivais de música acontecendo semanalmente. Muitas atrações gratuitas. Muita gente ocupando parques e praias. Vancouver é uma cidade onde a diversidade é comum e todos podem se expressar da forma como quiserem, todo mundo é bem-vindo.

Vista do centro da cidade a partir do Waterfront Park em North Vancouver.

Vista do centro da cidade a partir do Waterfront Park em North Vancouver.

Mas o que mais me encantou até agora foi de fato a natureza. Muitos parques e trilhas são acessíveis de transporte público a partir do centro da cidade e muitos deles com entrada gratuita, o que torna os finais de semana ensolarados muito baratos pra se aproveitar.

Homem pescando em rio de água transparente no Capilano River State Park. Acessível de ônibus a partir do centro da cidade.

Homem pescando em rio de água transparente no Capilano River State Park. Acessível de ônibus a partir do centro da cidade.

Nas trilhas é comum ver famílias inteiras (inclusive com cachorros) caminhando ou acampando. E mesmo sem conhecer ninguém, os canadenses costumam cumprimentar qualquer um que encontra pela frente durante a trilha, portanto não se assuste ao ouvir um “Hello, how are you doing?” ou um simples “Hi!” acompanhado de um sorriso de um desconhecido. Esse é o jeito educado do canadense de ser e viver.

Upper Joffre Lake, o maior e mais bonito dos lagos em Joffre Lakes Provincial Park, um parque próximo de Pemberton, a pouco mais de 2 horas de carro de Vancouver.

Upper Joffre Lake, o maior e mais bonito dos lagos em Joffre Lakes Provincial Park, um parque próximo de Pemberton, a pouco mais de 2 horas de carro de Vancouver.

Passar horas caminhando numa trilha é muito mais que um simples passatempo pra mim, é sempre um novo desafio. É sobre testar os limites do próprio corpo e da mente. Do corpo, quando as pernas já não aguentam mais. Quando as bolhas no pé te imploram para parar. Quando a boca seca e a água da garrafa acaba. Da mente, para controlar todas as dificuldades enfrentadas e limitações físicas.

Depois de mais de uma hora subindo 1000 metros, a vista é recompensadora no Garibaldi Provincial Park.

Depois de mais de uma hora subindo 1000 metros, a vista é recompensadora no Garibaldi Provincial Park.

Diz a lenda que no fim do arco-íris há sempre um pote de ouro. Aqui em Vancouver no final de uma trilha há sempre um lindo lago com centenas de tons de verde e azul ou uma vista estonteante de um vale, de uma cidade, das montanhas. E no final, as dores são esquecidas e todo esforço é recompensado.

Garibaldi Lake e suas dezenas de tons de verde e azul.

Garibaldi Lake e suas dezenas de tons de verde e azul.

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