Perguntas respondidas: Intercâmbio em Dublin

Há algum tempo escrevi um post sobre meu intercâmbio em Dublin e volta e meia recebo algumas perguntas de uma galera interessada em ir pra lá. Então resolvi criar o espaço aqui, pra tentar responder essas perguntas e se possível ajudar quem está na procura dessas informações. Se você caiu direto aqui, aconselho dar uma lida no primeiro post e se achar necessário, volte aqui depois.

Vamos lá!

DOCUMENTOS/PLANEJAMENTO

Documentação (passaporte, visto etc): como funcionam os trâmites, o que eu preciso fazer e o que a agência faz.

Passaporte válido: alguns países exigem visto com no mínimo 6 meses de validade. Importante checar isso pra não correr nenhum risco. Aí é por sua conta, qualquer dúvida dá um pulo na polícia federal e resolve sua situação antes da viagem.

O visto vai depender da duração da seu curso. Se você for estudar por menos que 3 meses, não há necessidade de visto. A Irlanda faz parte do acordo de schengen e brasileiros podem viajar pelos países que fazem parte desse acordo por até 90 dias num período de 6 meses sem visto.
Mas se você for estudar por mais de 3 meses, tem que tirar visto e ele é feito na Irlanda. Para aplicar para o visto mais comum de estudo+trabalho, é necessário levar uma carta da escola (curso com carga horária mínima de 15h/semana), seguro de saúde (falo mais tarde), 3000 euros em uma conta em um banco irlandês (também já falo) e comprovante de endereço. Os dois primeiros você resolve antes da viagem, sendo que se fechar com agência, te entregarão a carta da escola e oferecerão algum seguro de saúde (da pra fechar por conta se achar melhor). Os outros dois se resolve quando chegar.

Chegando no aeroporto, vão te perguntar o que você vai fazer no país. Diga que vai estudar, não precisa mencionar que quer trabalhar. Apresente a carta da escola, o seguro de saúde e talvez te peçam um comprovante de moradia (eu não fui com acomodação estudantil, ou casa de família, e acho que não me pediram isso, mas eu tinha o comprovante de estádia de 2 semanas em um hostel). Eles vão carimbar seu passaporte com um visto temporário de um mês, que é o prazo que você tem pra abrir sua conta, e acertar seu endereço. Junto com o carimbo te entregarão um papel com o endereço do centro de imigração que você deve comparecer com os documentos. Não esquentem que essas perguntas no aeroporto são simples, curtas e não vão levar muito tempo. Contando que você tenha os documentos certos, então preste atenção, não são muitos (:

[Se quiser saber mais sobre esses vistos ou outros, aconselho esse link.]

Seguro de saúde é obrigatório? Como ele é feito? Agência ajuda com isso? Existem diferentes opções? Quais os valores?

Sim, obrigatório. É feito antes da sua viagem. Agência ajuda. São basicamente duas opções: governamental ou privado. O governamental é mais barato, porque basicamente, se você precisar fazer qualquer coisa no médico lá, vai ter que pagar. O privado é mais caro, mas vai te cobrir até o quanto você quiser cobertura e estiver disposto a pagar, e aí chegando lá, não precisa se preocupar com nada, o seguro que paga.

Eu embarquei no espírito, sou jovem ainda jovem ainda jovem ainda, vai dar tudo certo e somente com o seguro governamental. Cada visita ao médico me custaria por volta de 60 euros, e na época, pelas minhas contas eu teria que ir ao médico pelo menos umas 10 vezes pra que o privado valesse mais a pena. No final das contas, não fui nenhuma, e pra mim, o governamental foi a melhor escolha. Mas pense bem sobre sua situação médica e escolha o que melhor se encaixa no seu bolso e perfil.

Grana necessária para entrar no país.

Se você for tirar visto, é necessário levar 3000 euros para depositar em um banco irlandês. Opa, pera lá, e vou poder usar esse dinheiro? Sim, pode. A imigração vai querer ver um extrato emitido por um banco irlandês em uma conta no seu nome com o saldo de 3000 euros. Uma vez que você emitiu o extrato pra levar na imigração, já pode começar a usar o dinheiro dessa conta. Pro governo irlandês, esse dinheiro é uma garantia que você terá como se sustentar durante o período em que estiver estudando.

Conta em banco: O que eu preciso fazer e o que a agência faz?

A conta em banco é contigo. O máximo que a agência vai fazer, é recomendar que você leve a grana necessária para depositar no banco em um cartão pré-pago e vão te encaminhar para alguma agência de câmbio conhecida deles. Mas, você que decide como vai levar essa grana.

Bom, com os 3000 na cueca (ou de preferência no cartão pré-pago), a carta da escola e um comprovante de endereço, você deve ir a um banco irlandês e abrir sua conta de estudante (eu abri no Bank of Ireland, mas os serviços do Ulster são bem melhores). O comprovante de endereço é onde eles te enviaram seu cartão, senha e extrato, então é importante que você leve um comprovante de um endereço onde você realmente vai ficar. Não vai querer receber seus documentos de banco num endereço que decidiu passar apenas as duas primeiras semanas, né?

O que é GNIB?

Pra simplificar, é seu visto. Quando você tiver todos os documentos e levar na imigração, vai pagar uma taxa de 300 euros (quando fui era 150, então preste atenção e se mantenha atualizado) e eles emitem na hora o GNIB. Tome cuidado e não perca esse trem, porque se perder, vai ter que desembolsar outros 300 euros. Tem gente que acha legal viajar com ele, pra mostrar na imigração de outros países pra provar que está estudando na Irlanda e não tem intenção de ficar no país que está visitando. Eu acho válido. Principalmente no aeroporto de Madrid, às vezes a imigração embaça na vida dos brasileiros, e uma prova a mais sempre ajuda.

Carteira de motorista. Poderei dirigir? O que fazer para ter uma internacional? Vale a pena? Custa?

Nossa CNH é válida por um ano na Irlanda. Então não precisa se preocupar em tirar carteira internacional. Quando pesquisei no site do Detran, era uma paulada (coisa de 300 dilmas. sou pobre, acho caro) e não achei que valia a pena. Mas, se você planeja viajar de carro por outros países que não a Irlanda, vale a pena conferir antes e ver se a CNH também é válida nesses outro países, do contrário, talvez seja válido pagar a paulada pela carteira interancional.

ESCOLA

Gostaria de saber se você já possuía uma nível de inglês bacana quando pisou pela primeira vez na Europa…se não, é possível chegar só com um inglês intermediário e aprender realmente falando na escola e com as pessoas?

Quando cheguei na Irlanda, meu nível era intermediário. Há poucos meses voltei pra Irlanda, bati um papo com o diretor da escola em que estudei e ele falou: “Poxa, Hector. Lembro quando você chegou na escola, não conseguia falar nada, e agora estamos aqui conversando numa boa.”

Realmente eu não falava quase nada, gaguejava e a galera terminava as frases por mim. Mas estando lá você é obrigado a falar o tempo todo, e o aprendizado é muito rápido. No Brasil, se você estudar em uma escola 4 horas por semana, em um mês estudou 16 horas. Isso aí é uma semana só de aula na Irlanda. E outra, tem atividades extra classes, você fará amigos, vai colar num pub, vai ao supermercado, ao banco, ao trabalho, e tudo isso é prática. Quanto mais você se esforçar pra falar fora da escola, mais rápido vai aprender. Então, sim, é possível.

Pesquisar as diferentes escolas e o que elas oferecem / Valores / Localizações / Nº de brasileiros envolvidos / Procurar pessoas que já estudaram lá

Existem centenas de escolas, com valores diferentes, localizações diferentes, quantidade de brasileiros diferentes (a maioria tem bastante). Por isso é díficil falar qual é a ideal pra você. Pesquise bem, fale com que já estudou em alguma escola que você ficou interessado. Tente entender qual o seu objetivo, suas necessidades, e aí você vai encaixar a que faz mais sentido pro seu bolso e para as suas expectativas. Escolas no centro costumam ser mais baratas, ter mais estudantes e consequentemente mais brasileiros. “Nossa, achei essa escola super barata e parece ser ótima.” Só parece, amiga. Geralmente, o preço que você paga pela escola, é equivalente ao serviço que elas prestam.

Pra mim, o melhor foi a Kenilworth. Conheci outras escolas, já dei palestras pela agência Vision (recomendo que façam uma visita e conversem com o Michael), dá última vez que estive em Dublin visitei duas escolas que trabalham com a agência de intercâmbio onde minha namorada trabalha aqui na França (confuso? desculpa haha), e depois de tudo isso, ainda tenho certeza que fiz a escolha certa. A Kenilworth não me paga nada pra falar isso, mas não existe dinheiro que pague pela parte deles no crescimento da minha vida.
Se no final das contas decidir estudar lá, quando conhecer o diretor, Colm, diga que mandei um grande abraço.

Aqui no blog, todos os textos tem versões em inglês e português. Os meus posts em inglês quando revisados, são revisados por outros dois ex-alunos da Kenilworth. Meu inglês está longe de ser perfeito, mas talvez te ajude a ter uma ideia.

Qual a real possibilidade de conseguir tirar o Cambridge estudando lá? A escola ajuda com a infra? Posso fazer a prova lá ou preciso voltar ao Brasil?

A maioria das escolas trabalham com diversos tipos de certificados e com certeza te ajudaram com isso. O interessante de tirar lá é pelo fato de você estar vivendo a língua e provavelmente estará mais solto. Mas tem que ralar. Um amigo tirou o CAE estudando com ajuda da Kenilworth e muito esforço próprio.

MORADIA

Onde morar? Pesquisar as diferenças dos bairros (números). Em cima do rio ou abaixo do rio? Mais ao centro ou mais afastado?

O rio Liffey divide a cidade.

O rio Liffey divide a cidade.

 

Existe uma richa entre o norte e sul da cidade. Relaxa, ninguém no norte da tiro em que é do sul, e vice-versa. Eu morei no sul e não vejo motivos pra morar no norte. Em Dublin, é diferente de, por exemplo, São Paulo: quanto mais central, mais barato. Porquê? A cidade é pequena, o pessoal mora afastado do centro em casas maiores, mais confortáveis, em bairros completamente residencias, mais tranquilos. Essa tranquilidade custa mais caro que o agito do centro da cidade.

Mas acho que o mais interessante é achar um lugar pra morar próximo a escola em que vai estudar. A cidade é pequena, e talvez você diga: “Ahh, sem problemas, vou estudar nessa escola que fica a só 20 minutos de bike da minha casa.”
Amigo, quando o frio chegar, você vai querer morar do lado da sua escola. E outra, vai por mim, fazer as coisas andando, ou pedalando a lugares próximos, é um dos pontos altos de se viver em Dublin.

Como funcionam os contratos, se é que eles existem? Semanal, mensal, tanto faz?

Geralmente não tem contrato, as casas são por muitas vezes dividias entre estudantes, e você entra pegando o quarto de algum estudante que está voltando pro seu país. Vai ter que pagar um depósito no valor do aluguel mensal, e cada mês tem que pagar o landlord (locatário). Geralmente se avisa um mês antes que vai sair, e se você tiver pago todos os aluguéis, quando sair o landlord devolve o seu depósito.

Custos de vida: Aluguel / Alimentação própria / Lazer

Eu pagava 320 euros em um quarto grande, com cama de casal, em um ótimo bairro, Terenure em Dublin 6. Tive sorte, acho que hoje já não é tão fácil de achar preços assim. Mas vai variar entre 200 e 500, dependendo do bairro e tipo do quarto.
Eu não gastava mais que 100 euros em compras mensais. No começo talvez você gaste mais, até conhecer os supermercados e produtos. Depois de um tempo se acerta pelo seu budget. Eu fazia compra toda segunda, e passava em quatro supermercados diferentes. Já sabia qual produto era melhor e mais barato em determinado supermercado. Cinema, jantar fora, e muita cachaça/cerveja fora era luxo. Tinha a grana reservada pra breja, mas não esbanjava, porque sai caro.

TRABALHO

Qual a documentação necessária para o trabalho legalizado?

O PPS.

O que é PPS?

É como uma carteira de trabalho. Quando você trabalhar legalizado, vai pagar impostos, e esses impostos são vinculados ao número do seu PPS. Antes de voltar para o Brasil, você pode solicitar que devolvam os impostos pagos. Seu empregador precisa enviar uns formulários pra que isso aconteça, então antes de sair em definitivo de algum trabalho, solicite o envio desses formulários.
Então, se tiver interesse em trabalhar, assim que chegar na escola, peça a carta pra tirar o PPS.

Quais os tipos de emprego que poderei procurar?

Trabalhos de contrato de até 6 meses, quando tiver terminado o curso. Durante o curso, apenas trabalhos de até 20 horas semanais. Mas é aquela velha história, brasileiro da jeito pra tudo. Tem muita gente que trabalha mais que as 20 horas enquanto estuda, chegando lá você vai conhecer alguém que faz, e eles te ajudarão caso precise. Sim, ter amigo brasileiro nem sempre é ruim 😉

Qual a real possibilidade de encontrar um emprego em minha área?

Depende da sua area e formação. Caso seja formado, tiver interesse em trabalhar na area e souber de possibilidades, vale a pena traduzir diplomas pra apresentar em entrevistas.
Em TI, por exemplo, tem muito trabalho, mas quando fui, não consegui por questões do visto. Hoje já existem outras possibilidades de visto de trabalho, mas aí é legal verificar antes de ir.

Qual a média de grana que dá pra fazer em um mês? Suficiente para pagar aluguel+alimentação?

Trabalhando no restaurante numa média de 20 horas por semanas, mais as caixinhas, eu tirava entre 800 e 1000 euros por mês. Aí você tira os 320 que pagava de aluguel, 100 de comida, 27 com academia e o resto era tomar minhas brejas e guardando para as viagens.

Dá pra conseguir emprego no começo do intercâmbio, justamente quando o nível de inglês está o mais baixo possível?

Dependende do tipo de trabalho que você estiver disposto a fazer. Quando comecei no restaurante lavando louça, o outro rapaz que era responsável pela louça não falava nada de inglês. Nada mesmo. Sabia o nome dos utensílios, e era rápido que só a porra. Esforçado pra caralho. Se você não fala nada, não vai arrumar uns trampos muito bons, mas da pra trabalhar e pagar as contas.

Lembro que você não conseguiu trabalhar na sua área pelo primeiro ano e começou a trabalhar num restaurante, gostaria de saber se valeu a pena essa experiência e se com o salário dava para pagar o aluguel e viver com qualidade de vida na Europa?

Amei a experiência, se pudesse voltar no tempo e escolher, faria de novo. Foi algo completamente diferente pra mim, mas algo que me enriqueceu demais como pessoa. O trampo era osso, puxado, cansativo, muita merda aconteceu, mas nunca deixei essas merdas me abalarem demais. Sempre olhei com uma experiência temporária e que tiraria o melhor daquilo. E isso só me trouxe coisas boas. Boa parte do meu crescimento como pessoa e do desenvolvimento do meu inglês, eu devo a esse trampo lavando louças. Mas é aquilo, tudo depende da sua atitude.
Quanto ao salário, com mencionei acima, é suficiente pra viver tranquilo, sabendo moderar. Com meu salário eu sabia que não podia ir ao cinema sempre, ou jantar fora, ou beber muito algumas vezes, mas a minha qualidade de vida não era medida por essas coisas, e sim pelo fato de que em 8 minutos a pé, ou 2 pedalando, eu chegava no trabalho, que em 20 minutos de bicicleta eu estava no centro pra sair a noite, que voltava de bicicleta as 3/4/5 horas da manhã pra minha casa (crianças não pedalem bêbados voltando pra casa, é muito muito divertido, e vocês terão muitas histórias pra contar perigoso, perigoso, só fiz uma vez pra nunca mais viu mãe), ir ao parque do lado de casa pra correr, respirando um ar puro. Isso pra mim era muito melhor do que não poder ir ao cinema ou jantar fora.

Foi com esse dinheiro (restaurante) que você viajou na Europa ou você teve que levar mais, mesmo com o CouchSurfing?

Olha, era pra ter sido só com a grana do restaurante. Mas como falei, merda acontece. Meu chefe era meio caloteiro e demorava pra me pagar, mas antes de eu por o pé na estrada, conversei com ele, e ele prometeu ir depositando a grana que me devia aos poucos durante a viagem. O problema é que ele não depositou. E depois de algumas noites dormidas em estações de trêm e bancos de praça, eu peguei uma grana que tinha guardado pra quando voltasse ao Brasil e usei durante a viagem. Mas mesmo assim, não foi muito. Minhas viagens era feitas com um budget diário de 20 euros, o que acho baixissimo, e por muitas vezes eu não nem usava todo meu budget. Se será suficiente ou não, vai depender do quanto você conseguirá guardar por mês, e de como fará suas viagens depois.

E sua visão de mundo e do Brasil mudou com esse intercâmbio? Se sim… o que especificamente? Você voltaria a morar no Brasil depois de conhecer todos esses países e culturas? Pergunto isso, pois muitos brasileiros daquele programa o Mundo Segundo os Brasileiros sentem muita falta dos amigos, família, da comida, mas realmente não querem voltar tão cedo ao país do futebol.

A visão do mundo muda quando você está em contato com pessoas de lugares diferentes. Meu círculo de amigos era formado por italianos, franceses, chilenos, sul coreanos, omanenses, irlandeses, espanhóis, belgas, romenos, poloneses, e algumas outras nacionalidades. Esse mix de culturas te faz ver o mundo com outros olhos, te faz entender outras culturas e desmitificar clichês.

Talvez muita gente não pense em voltar, porque viu que fora é mais fácil de viver mais com menos. E entendo isso.
Pra mim, viver fora ainda está muito mais ligado a esse contínuo ganho de aprendizagem sobre o diferente e sobre mim mesmo. Distante de família e amigos próximos, tive mais tempo de me conhecer melhor.
Junto com essa curiosidade de conhecer novas culturas, também cresceu a vontade de conhecer melhor meu próprio país. Nosso país é gigante, cheio de contrastes entre modos de vidas e culturas. E por isso, ainda tenho muita vontade de viver no Brasil e viajar por lá.

Também senti muita falta do contato com amigos próximos, com a família, um pouco da comida, do clima, e mais do estilo de vida brasileiro. O foda da saudade é que você só lembra das coisas boas. Já tá lembrando da(o) ex que era tão amorosa(o), carinhosa(o), mas já esqueceu que era um(a) cafajeste, né? Pois é, pela saudade, pintei na memória algumas coisas mais bonitas do que realmente eram. Não que sejam assim terríveis, apenas acontece que eu mudei, e coisas que passei a dar valor, foram mais difíceis de alcançar quando voltei à São Paulo do que eu esperava. A experiência fora me fez ver que em qualquer lugar do mundo, mesmo que em certos lugares possam ser mais difíceis que em outros, é possível se adaptar a realidade que você quer para sua vida. No meu retorno passei a priorizar coisas que não priorizava antes do intercâmbio  e apesar de certas terem sido difíceis (ou caras), consegui aplicar muitas dessas coisas.

E por uma razão completamente diferente e não esperada, meu retorno à São Paulo foi mais curto do que o esperado. Se ainda não fui claro, Dublin ou Lyon não são minha Miami, tem sim muito mais cara de Havana. E hoje penso que se tivesse mais tempo em SP, continuaria lutando pra fazer a minha vida lá a melhor que pudesse, assim como faço aqui e farei em qualquer lugar que venha a morar no futuro. Não me vejo morando em São Paulo novamente, talvez até o possa fazer um dia, mas hoje não consigo ver uma volta definitiva. Mas com certeza poderia voltar a morar no Brasil. Como acabei de falar, essa experiência com muitas culturas diferentes me fez apreciar mais coisas únicas que temos no Brasil, e isso vai além da comida e do clima. Nosso país é um país lindo, com um povo lindo, que passa por grandes problemas, do governo à sociedade, e que tem muito pra ser melhorado, mas com certeza não é tão ruim quanto como às vezes nós mesmos o pintamos.

Tem mais perguntas? Comentem aqui no post que a medida do possível vou atualizando o post com respostas a tais perguntas.

Pra informações mais atualizadas, sempre recomendo o site e-Dublin, que tem conteúdo incrível sobre toda a Irlanda. Outra fonte boa de informações e melhor ainda pra quando estiver vivendo em Dubin é esse grupo no facebook.

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Intercâmbio em Dublin

No final de 2010 eu tomei uma das decisões mais importantes, que mudou minha vida completamente: fazer um intercâmbio. Decidi que juntaria dinheiro durante o ano de 2011 e que faria isso acontecer em 2012. Sim, eu acho que esse é um tipo de decisão que não se toma de uma hora pra outra e que é necessário preparo para isso.

Planejamento

Assim que decidi, comecei a pesquisar lugares para ir. O objetivo era estudar inglês e os favoritos eram: Austrália, Nova Zelândia e Irlanda. Austrália e Nova Zelândia eram os grandes favoritos pelo clima. Eu poderia aproveitar e conhecer lugares com natureza incrível, algo que valorizo muito.

Meu primeiro dia em Dublin.

Meu primeiro dia em Dublin.

A Irlanda corria por fora. Um amigo meu já estava lá e me dizia o quão legal era. E existiam suas vantagens: pela Europa seria fácil de viajar e conhecer inúmeros países. Lá eu poderia trabalhar. O visto era fácil de conseguir. Eu poderia visitar os estádios de futebol europeu, alguns que eu sonhei tanto em um dia conhecer. E era muito barato. Ok, ficou fácil de ver que me decidi pela Irlanda, especificamente, Dublin.

Não vou mentir pra vocês: pouco conhecia sobre Dublin. Mas a partir do momento que decidi por isso, comecei a pesquisar sobre lá e fui me animando cada vez mais. E agora vou contar brevemente as minhas impressões após ter vivido um ano em Dublin.

Cidade

A cidade é plana e pequena, então é muito fácil de se locomover. O melhor meio de transporte é a bicicleta. Compre uma assim que chegar (até 80 euros é um bom preço, se vier com cadeado, melhor ainda), é muito seguro andar por lá. Mas caso você precise andar de ônibus, não se preocupe. Em um ano lá, eu nunca precisei ficar em pé. Quase todos os pontos tem um painel eletrônico e você pode ver quando o próximo ônibus virá. Caso não tenha, basta mandar um sms com o número do ponto e você será informado.

Pra quem não conhece muito sobre Dublin, a cidade é dividida entre Norte e Sul sendo esses lados divididos pelo rio Liffey. A cidade também é dividida por números (códigos postais), como que grandes bairros, mas cada número tem vários bairros dentro. Na parte norte ficam os números impares e na parte sul os pares.

Dublin divida por números

Dublin divida por números

Eu morei na parte sul de Dublin (6 pertinho de 6W) e tinha tudo muito próximo a minha casa, ia a pé até a escola (por volta de 15 minutos andando), meu trabalho ficava a cinco minutos a pé de casa e alguns supermercados próximos também, mas no supermercado eu ia de bicicleta (ficar carregando um monte de coisa a pé é chato).

Tenha cuidado com sua bicicleta e compre um bom cadeado, pois com muita gente anda de bicicleta lá, existe um grande mercado negro e você não quer que a sua bicicleta entre pro mercado.

Escola

Uma das mais importantes escolhas que você terá que fazer, se não a mais. Não acho bom ecomizar nesse momento. Pesquise qual se adequa mais a suas necessidades, e procure saber tudo que a escola oferece. Tente entrar em contato com quem já estudou na escola que você está pensando em estudar, e com pessoas que ainda estejam estudando.

É importante se informar sobre a quantidade de alunos por sala, da quantidade de brasileiros na escola (afinal você não quer ir pra uma escola ficar e ficar falando português no intervalo), e sobre as atividades extra-curriculares. Elas são importantes para fazer crescer o seu circulo social e te incentivar a praticar ainda mais o inglês.

Eu escolhi pela Kenilworth (Dublin 6) e poderia fazer um post inteiro sobre essa minha decisão e como eu amei ter estudado lá. Ainda tenho contato com professores, diretor, coordenadores, etc, da escola, pois não é apenas uma escola, é uma família. E isso ajuda muito na sua adaptação em um país novo.

Galera jogando pebolim no intervalo das aulas.

Galera jogando pebolim no intervalo das aulas.

Fazendo um breve resumo sobre minha experiência lá, posso dizer que a escola possui um bom mix de estudantes (estudei com italianos, espanhóis, franceses, argentinos, chilenos, poloneses, mexicanos, chineses, sul-coreanos, omanis.), ótimas atividades extra-curriculares ( boliche, museus, cinema, churrasco na escola, atividades em parques, filmes na escola, clube do livro, e muito mais), ótimos professores, e um tratamento pessoal que dificilmente você vai achar em outro lugar. Como disse, é uma família.

Se vocês quiserem ler um pouco mais sobre essa escola, um ex-aluno criou um blog onde ele conta algumas experiências. Confira aqui.

Comida

Uma parte levemente complicada. Você não vai achar lá tudo o que encontra nos supermercados aqui. Mas dá pra se virar. Os preços são ótimos e dá pra passar um mês tranquilo gastando 80 euros de supermercado. Existem supermercados brasileiros onde você encontra algumas coisas que você sentirá falta, mas são um pouco caros.

Não vale a pena comer fora lá. Posso contar nos dedos as vezes que comi em algum restaurante lá e nenhuma delas mereceu um “Uau!”. Comer os famosos kebabs quando você está voltando pra casa as 3h da manhã depois da balada, isso eu recomendo.

E claro, o tradicional café da manhã irlandês. Esse você não pode deixar de provar. O melhor que eu comi, foi no restaurante Six West, em Terenure, onde trabalhei por 6 meses.

Café da manhã irlandês.

Café da manhã irlandês.

Moradia

Minha casa em Dublin

Minha casa em Dublin

Muita gente fica na dúvida na chega ao país sobre as possibilidades de moradia. Geralmente as agências oferecem duas semanas de moradia em casa de família ou residência estudantil. E depois?
Bom, depois é por sua conta. Mas calma, não é dificil. Essas duas semanas são suficientes para você encontrar um lugar pra você. A melhor maneira de procurar casas (quartos) é pelo site daft.ie.

Os preços de moradia variam muito de acordo com a região em que você estiver procurando algo e também de acordo com o tipo de quarto. Eu recomendo procurar casa próximo a sua escola.
Também é importante verificar se existem supermercados próximos a casa, você não quer morar longe de um supermercado, te garanto.

Eu morei praticamente o meu ano inteiro em Terenure, Dublin 6. Amo o bairro e tudo o que ele oferece. Eu pagava 320 euros por mês, em uma casa com cinco quartos e com tudo incluso.

Vida noturna

Sou paulistano e muito se fala da vida noturna paulista, e provavelmente você já ouviu falar também. Mas garanto pra você, a vida noturna em Dublin é muito mais interessante do que aqui. Por que? Inúmeros motivos: você dificilmente paga para entrar em algum lugar; quase todos os pubs tem música ao vivo ou algum outro tipo de entretenimento; todo mundo conversa com todo mundo, então não tenha medo de sair sozinho, você com certeza vai encontrar pessoas e falar com muita gente.

Uma das partes mais divertidas da noite, acreditem ou não, é quando ela acaba. Como? Sim, todos os bares e baladas fecham as 3h da manhã (pela lei deveria ser as 2h30, mas raramente o jeitinho irlandês dá as caras, e essa é uma delas). E o que acontece? Todo mundo na rua ao mesmo tempo. E aí, meus amigos, se vê de tudo. Muita gente trançando as pernas pra atravessar a rua, meninas com os saltos nas mão andando descalças, gente derrubada, gente que nunca te viu vindo te abraçar, enfim, um milhão de coisas. E pouquissimas confusões. Pra falar a verdade eu só vi uma, dois caras discutindo por causa de fila pra comer kebab e rapidinho já tinham se entendido e estavam dando risadas.

Lado ruim: se você gosta de beber, se prepare. Os drinks e cervejas são caros. (Mais de 5 euros por um pint é abuso. Dá pra achar por 3 e pouco. Diceys é o lugar para beber barato.)

Halloween em Dublin

Halloween em Dublin

Trabalho

Caso você tenha interesse em trabalhar existem algumas coisas que você precisa saber. Primeira coisa é pedir o seu PPS. É como se fosse a sua carteira de trabalho. É fácil e rápido de conseguir, então se você quer trabalhar, peça a carta para a sua escola e vá até lá assim que você tiver isso.

Colegas de trabalho

Colegas de trabalho

É possível encontrar trabalho em Dublin, mas é preciso ser persistente. Para certos tipos de trabalho, mandar curriculos por e-mail não funciona. Eles somente pegam quem realmente aparecer lá e tiver a coragem de conversar com o gerente e pedir pelo trabalho. Eu passei muito tempo apenas mandando e-mails que nunca foram respondidos. Falo de empregos em restaurantes, hotéis, bares.
Mas no primeiro dia que fui pra rua, encontrei um restaurante que precisava de alguém pra lavar louça. Conversei com o gerente, ele me pediu pra vir no dia seguinte fazer um teste. Assim que terminei o teste ele perguntou se eu queria começar a trabalhar no dia seguinte. E lá trabalhei por 6 meses. Depois também encontrei um trabalho em um pub.
Então é possível encontrar trabalho, depende do que você está sujeito a fazer. Posso dizer que foi uma experiência muito boa, difícil, mas boa. Aprendi muito com eles.
O salário minimo é por hora, 8.75. E eu vivia tranquilamente com esse salário, trabalhando apenas meio período.

No caso de outras áreas, procure sites específicos da sua area e invista em mandar o máximo de curriculos possíveis por email ou pelos sites. O retorno é garantido. Fiz diversas entrevistas para area de TI em vagas que vi nesses sites, mas infelizmente nenhuma deu certo.
Se você trabalha com TI, vale a pena olhar os seguintes sites:
computerjobs.ie
computerfutures.com
Grupo IT Ireland – Linkedin
Grupo Desenvolvedores no Exterior – Linkedin

E um post legal do e-dublin sobre visto de trabalho para profissionais de TI.

Aqui um exemplo de CV na area de TI que uma empresa de recrutamento me passou.

Clima

Não quero desanimar ninguém, mas essa é a parte complicada. Caso você queira conhecer Dublin, tente ir um pouco antes do começo do verão. É a melhor época do ano. Os dias são longos (amanhece as 4h da manhã e escurece as 23h) e não chove tanto. Nunca está muito quente, mas também não chega a fazer tanto frio. Mas o verão é curto, e o tempo começa a esfriar rapidamente. A pior parte fica entre o fim de novembro e começo de fevereiro. Fica bem frio, temperaturas próximas de 0 °C, mas com sensação térmica abaixo de 0. E os dias são curtos, amanhece as 9h e escurece as 4h. Esses horários citados são os extremos, que ocorrem no dia mais longo e mais curto do ano. A cada dia tem uma leve variação da hora que o sol nasce e se põe.

Eu detesto frio, e sobrevivi. Aproveitem e comprem bons casacos, toucas, luvas, cachecóis, não são tão caros lá e você vai precisar.

Verão em Dublin

Verão em Dublin

Pessoas

A melhor coisa sobre a Irlanda são os irlandeses. As pessoas são fantásticas, muito atenciosas e hospitaleiras. Eu tive a sorte de morar em uma casa com 4 irlandeses, e isso me ajudou muito. Eu saía da aula falando inglês e voltava pra casa, falando inglês. Isso me ajudou muito a melhor o nível do meu inglês.

Faça amigos onde você estiver estudando. Eles serão muito importantes pra você lá. Conheci pessoas fantásticas de diversas partes do mundo, pessoas que mantenho contato até hoje. Algumas que deram um toque realmente especial pra minha vida. Então procure uma escola que te de a oportunidade de conhecer pessoas de vários lugares. Esse choque cultural te faz crescer muito. Eu conheci espanhóis, franceses, italianos, sul-coreanos, chilenos, omanis, chineses, poloneses, mexicanos, argentinos, e por aí vai. Essa troca de experiências culturais te agrega muito.

Por isso que a minha maior dica é: evite sair com brasileiros e se sair, tente falar inglês. Talvez te achem chato por isso, mas você está lá pra aprender inglês. Um problema de Dublin é que você encontra brasileiros em todos os lugares e é fácil e confortável falar a sua língua. Mas se você conseguir evitar isso, seu inglês melhorará muito mais rápido e você terá a oportunidade de conhecer muita gente de outros lugares. Já conhecemos brasileiros o suficiente, não?

Amizade

Amizade

Em dúvida ainda? Não fique: se prepare, faça as malas e vá!

Acho que eu poderia escrever mais umas boas páginas mesmo se eu fosse resumindo muito. Vou tentar fazer outros posts detalhando mais algumas coisas que gosto de Dublin. Caso vocês tenham alguma dúvida ou algo que gostaria de saber mais, comentem no final do post e eu prometo dar uma atenção e responder, ou quem sabe criar um post específico para isso.

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